Campos ameaça rebelião após perda de poder de afilhados

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, vai trabalhar contra a aprovação da Medida Provisória dos Portos caso ela não passe por mudanças. Possível candidato à Presidência, Campos quer que a presidente Dilma Rousseff devolva poder sobre os portos para os Estados. Ainda usará o discurso segundo o qual é preciso ficar claro que a medida não vai tirar direitos dos trabalhadores.

JOÃO DOMINGOS , VERA ROSA / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

01 de março de 2013 | 02h06

Campos, que preside o PSB, ficou contrariado porque o ministro dos Portos, Leônidas Cristino, indicado por ele, não foi ouvido na elaboração da MP. "Do jeito que está nós não a votamos", disse o líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque (RS). "Não podemos nos esquecer de que o Porto de Suape, em Pernambuco, é uma espécie de cartão-postal do Estado e do PSB. Se a MP não for modificada, o governo de Pernambuco perderá todo poder em relação a esse porto", afirmou o deputado.

Por causa da MP dos Portos, Campos realizou uma minirreunião da Executiva do PSB na quarta-feira à noite, entrando pela madrugada de ontem. Participaram do encontro, além do governador e de Albuquerque, o tesoureiro nacional do PSB, deputado Márcio França (SP), o secretário nacional do partido, Carlos Siqueira, e a integrante da Executiva Mari Elizabeth Machado. Estes dois últimos, de acordo com Albuquerque, foram ao Recife, originalmente, para tratar do programa nacional do partido, a ser veiculado neste mês. Campos se irrita, também, com o esvaziamento do poder do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, seu afilhado político. Apesar da insatisfação, o governador disse aos correligionários que pretende manter o PSB em cargos do governo.

Petistas tentam minar as pretensões de Campos de disputar o Planalto contra Dilma em 2014.

Apesar de o PMDB ser atualmente o aliado preferencial, não está descartada a possibilidade de o posto de candidato a vice-presidente na chapa petista ser oferecido a Campos. O governador da Bahia, Jaques Wagner, esteve no Recife na segunda-feira. "Defendo espaço para Campos na chapa presidencial de 2018. O time que ganhou em 2010 deve permanecer em 2014. Michel Temer tem toda a legitimidade para continuar na chapa", disse Wagner ao Estado. / COLABOROU DAIENE CARDOSO

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