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Campos ainda patina como nome do Nordeste

Candidato do PSB tenta se associar à região, mas não consegue romper domínio petista

LUCAS DE ABREU MAIA, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2014 | 02h04

Quando a candidatura presidencial de Eduardo Campos (PSB) ganhou ares de irreversível, em outubro passado, o então governador de Pernambuco era visto como uma ameaça à hegemonia eleitoral petista no Nordeste. Até agora, porém, essa hipótese não se concretizou. À exceção de Pernambuco, Campos tem na região desempenho semelhante à média nacional, segundo pesquisas feitas em Estados nordestinos nas últimas semanas.

O Estadão Dados reuniu consultas eleitorais feitas desde o início do ano, em âmbito estadual, que pesquisaram o voto para candidatos a presidente. Esse banco de dados revela que, nos oito Estados do Nordeste em que foram feitos levantamentos presidenciais (não foram encontradas pesquisas em Sergipe), as intenções de voto no candidato do PSB vão de 6%, no Ceará, a 13%, na Paraíba. Nos mesmos Estados, a presidente Dilma Rousseff (PT), que busca a reeleição, tem 44% e 55%, respectivamente. A candidata à reeleição chega a 63% no Piauí.

Pernambuco é a exceção. Lá, Campos e Dilma estão tecnicamente empatados - ele tem 40% da preferência dos eleitores e ela, 39%. A presidente está isolada no primeiro lugar no resto do Nordeste.

De acordo com a média das últimas pesquisas nacionais calculada pelo Estadão Dados, Campos tem hoje 10% das intenções de voto dos brasileiros. Como nos Estados nordestinos o apoio ao candidato varia entre 6% e 13%, fica claro que seu desempenho na região não é melhor que na média nacional. Isso por causa da margem de erro, que chega a 4 pontos porcentuais em alguns Estados.

Performance. É verdade, porém, que o Nordeste é onde o candidato do PSB se sai melhor em comparação ao resto do País. Diferentemente do cenário nacional, em que aparece em terceiro lugar nas pesquisas, Campos está em segundo em Alagoas e na Paraíba. Mas nem isso é motivo para o candidato do PSB comemorar. Sua colocação se deve ao fato de o concorrente tucano, o senador Aécio Neves, se sair particularmente mal no Nordeste.

Os dois candidatos de oposição a Dilma estão, na verdade, tecnicamente empatados na maioria dos Estados da região. Mesmo com 20% dos votos em todo o Brasil, Aécio consegue, no máximo, 14% em colégios eleitorais nordestinos - no Maranhão e no Piauí. Em Pernambuco, terra natal de Campos e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o tucano tem votação de nanico: 3%.

Discurso. O candidato do PSB tem repetido que quer ser o candidato do Nordeste e que vai trabalhar para ganhar a eleição na região e, assim, chegar à Presidência da República. Nas duas primeiras semanas de campanha oficial, Campos visitou cinco dos nove Estados da região.

Em seu discurso, o ex-governador de Pernambuco costuma lembrar suas raízes nordestinas e afirmar que Dilma não deu ao Nordeste o mesmo valor que a região deu a ela. Campos acusa a presidente, que teve votação massiva na região em 2010, de ter investido pouco e de não ter concluído obras importantes, como a transposição do Rio São Francisco - muitas delas iniciadas ainda na gestão Lula.

Desde as eleições de 2006, o Nordeste tem sido a região de melhor desempenho eleitoral dos candidatos do PT. No primeiro turno de 2010, Dilma venceu em todos os Estados nordestinos e recebeu 55% dos votos da região. / COLABOROU ISADORA PERON

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