Campos afirma que Lula deve ser tratado como FHC

Aliado do governo federal, governador de PE diz que ex-presidente petista merece mesmo respeito dedicado ao antecessor

ELIZABETH LOPES , AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2012 | 02h06

O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, defendeu ontem o legado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vem sendo alvo de críticas da oposição e de setores da própria situação após a deflagração da Operação Porto Seguro, da Polícia Federal.

A investigação levantou suspeita de corrupção e tráfico de influência envolvendo a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha, pessoa próxima ao ex-presidente e que chegou a esse posto por sua indicação.

Indagado se Lula deve explicações à sociedade, Campos afirmou: "Vamos compreender o papel de Lula como o do ex-presidente FHC na história, de líderes que têm imperfeições, que cometeram erros, todos os dois, mas que legaram ao Brasil, cada um a seu tempo, algo que é importante para a vida brasileira até hoje (a democracia). O presidente Lula merece, do Brasil, respeito." Campos destacou que pode até ter algumas divergências com Lula, mas é fundamental compreender o papel que ele teve na construção do País.

Apesar da defesa de Lula, o governador de Pernambuco disse que é preciso punir "com o rigor da lei" as pessoas que usaram cargos públicos para tráfico de influência. "É preciso que se apure tudo e os responsáveis (por práticas ilegais) sejam punidos com o rigor da lei. O Brasil tem mudado, não se aceita mais que uma carga tributária de quase 36% possa ser administrada por práticas patrimonialistas", frisou, citando como exemplo dessa mudança a independência que algumas instituições, como a Polícia Federal, têm para agir.

Campos disse ainda que o petista prestou ao Brasil um papel de grande relevância: "Ele, como um líder popular, viveu momentos difíceis na história, na ocasião em que faltava democracia ao País. Depois, chegou à Presidência da República e teve o equilíbrio de garantir um rumo seguro para a economia brasileira, ganhou prestígio, inclusive no exterior. Além disso, legou independência à Polícia Federal, como se vê até hoje, nomeou oito ministros para o Supremo Tribunal Federal que decidiram com isenção sobre um episódio que, no passado, jamais seria objeto de julgamento no Supremo. E estamos vendo um Ministério Público que não engaveta mais e que denuncia. Este é o legado que eu vejo do presidente Lula."

As afirmações do governador de Pernambuco foram feitas após o seminário "Novos ventos na política brasileira", promovido pelo jornal Valor Econômico.

Haddad. O prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), presente no evento, também foi questionado sobre a Operação Porto Seguro da Polícia Federal e disse que antes de se fazer qualquer avaliação ou julgamento dos acontecimentos, é preciso aguardar a conclusão das investigações. Haddad não acredita que esse escândalo possa atingir, de alguma maneira, o ex-presidente: "Não é questão de imunidade (de Lula a essas denúncias), pois as pessoas conhecem o presidente suficientemente bem para saber (que ele não tem ligação com o escândalo)".

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