Campinas faz 'prévia' de disputa de 2014

Pochmann, do PT, e Donizette, do PSB, representam forças que miram o Planalto

RICARDO BRANDT / CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2012 | 03h10

Os eleitores de Campinas, terceiro maior colégio de São Paulo, com 758 mil votos, vão às urnas neste domingo sem uma definição se o candidato a prefeito do PT, o novato Márcio Pochmann, conseguirá superar o candidato do PSB, o deputado federal Jonas Donizette, que liderou as pesquisas desde o início e disputa o cargo pela terceira vez.

Vista, pelos partidos, como cidade estratégica no cenário nacional, Campinas não é só dona do terceiro maior orçamento do Estado (R$ 3,2 bilhões). O que está em jogo, na 14.ª maior cidade do País, é a correlação de forças entre o PT e o PSD no enfrentamento direto com o PSB (base de apoio do governo federal) e o PSDB. Líder nas pesquisas desde julho, o ex-radialista e deputado Jonas viu o economista e ex-presidente do Ipea Pochmann subir rapidamente de 1% das intenções de voto a 28% dos votos válidos, no dia 7, e levar a disputa para o 2.º turno.

Jonas Donizette, que esteve próximo de vencer no 1.º turno, manteve sua vantagem sobre o adversário por algum tempo no 2.º turno, mas a diferença entre os dois, nos últimos dias, começava a encurtar.

Na prática, as discussões de propostas para a cidade foram atropeladas pela nacionalização do embate, polarizado entre PT e PSDB - que tem o vice na chapa de Donizette -, mas o vencedor de hoje terá o duro desafio de colocar a casa em ordem após os escândalos de corrupção na gestão do prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT), cassado em 2011. Na Justiça, 28 pessoas foram processadas por fraudes e desvio de recursos. Entre elas, a ex-primeira-dama Rosely Santos e o vice-prefeito Demétrio Villagra (PT), que assumiu e também foi cassado, além de secretários e empresários.

Projeto PT. Indicado pessoalmente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a disputa, Pochmann teve apoio direto de outras lideranças nacionais do PT - a começar pela presidente Dilma Rousseff e seus ministros e do setor empresarial da cidade, via aliança com o PSD. O partido colou a imagem de Pochmann à de Lula e Dilma, confiante na transferência de votos para o candidato. Juntos, ex-presidente e sucessora fizeram o maior comício da disputa, pediram votos na TV e no rádio e negociaram alianças. Além do PMDB, aderiu ao grupo o candidato derrotado do PDT, o prefeito Pedro Serafim. Some-se a presença, na campanha, dos ministros Alexandre Padilha (Saúde), Aloizio Mercadante (Educação) e Marta Suplicy (Cultura).

Uma vitória de Pochmann, hoje, não só confirmará que o apoio de Lula e Dilma foi decisivo, como consagrará - se Fernando Haddad for o vencedor em São Paulo - o projeto de renovação de quadros do partido, conduzido pelo ex-presidente. "A capacidade que tivemos de fazer uma prévia, que permitiu uma autocrítica da atividade do PT na cidade, nos deu capacidade de ampliar nossa militância. Esse é o processo de renovação", resumiu Pochmann.

PSB fortalecido. Com a campanha nacionalizada pelo PT e com o sucesso do PSB em outras cidades, a disputa virou uma queda de braço entre caciques do PT e os da aliança PSB-PSDB - a ponto de também aparecerem na cidade o presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

"A crise política que Campinas viveu e o novo modelo de política que o PSB está propondo trouxeram as lideranças nacionais para cá. Queremos trazer esse modelo administrativo para Campinas. A população sabe entender e diferenciar a disputa local do que diz um líder nacional", avaliou Jonas.

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