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Campanhas presidenciais reavaliam estratégias após delação de ex-diretor

Comitês adequam discursos depois de revelação dos depoimentos de Paulo Roberto Costa; Dilma diz que governo não foi acusado oficialmente, enquanto Aécio cobra manifestação da presidente; Marina fala em campanha difamatória por adversários

VERA ROSA, RAFAEL MORAES MOURA, RICARDO GALHARDO, LUCIANA NUNES LEAL , O Estado de S. Paulo

07 de setembro de 2014 | 22h02

As principais campanhas à Presidência foram obrigadas a reavaliar suas estratégias após a revelação de parte do conteúdo dos depoimentos do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, em delação premiada à Justiça. Neste domingo, 7, a menos de um mês do 1º turno, os candidatos voltaram a tratar do tema corrupção na estatal. 


A lista de citados por Costa como beneficiários de um esquema de propina na Petrobrás apresentada pela revista Veja em sua edição do fim de semana causou apreensão no comitê da presidente Dilma Rousseff (PT) e desconforto no comando da campanha de Marina Silva (PSB).

A presidente Dilma Rousseff orientou neste domingo, 7, sua equipe a blindar o governo e sua campanha das denúncias de Costa. A ordem no Palácio do Planalto é sugerir “desespero” e interesses ocultos por trás das acusações, sem entrar no mérito de cada uma delas.

Entre os nomes citados, segundo a revista, está o do ex-governador de Pernambuco e ex-candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo no dia 13 de agosto. Marina, que assumiu a candidatura presidencial após a morte de Campos , afirmou que o vazamento de denúncias envolvendo o nome do ex-governador entre os suspeitos de desvios na estatal é parte de uma “estratégia leviana” de “uso de meios oficiais” para destruir os adversários na disputa eleitoral. 

O PSDB, do candidato Aécio Neves, quer aproveitar o episódio para tentar reverter sua queda nas pesquisas. Enquanto o presidenciável tucano tenta colar a pecha de corrupção no governo Dilma, sua campanha vai tentar reativar a investigação no Congresso sobre a Petrobrás. 

No acordo de delação firmado com procuradores da Operação Lava Jato, o ex-diretor da estatal citou também, conforme a revista, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, os presidentes do Senado e da Câmara, Renan Calheiros (PMDB-AL) e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN); o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) e a atual governadora do Maranhão, Roseana Sarney; o ex-ministro da Cidades Mário Negromonte (PP-BA) e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, além de outros parlamentares do PT e aliados. 

‘Oficialmente’. Dilma disse neste domingo, 7, em entrevista, que a lista de nomes apresentada por Costa, “não lança suspeita nenhuma sobre o governo na medida em que ninguém do governo foi oficialmente acusado”. 

A presidente indicou, porém, que poderá tomar “medidas mais fortes” imediatamente, caso as denúncias sejam comprovadas. “Eu gostaria muito de ter acesso a essas informações de forma oficial. Eu preciso dos dados que tenham alguma interferência no meu governo, porque, se não me derem, não tenho como tomar uma providência.”

Ao ser questionada se Lobão permanecerá no cargo após ser citado pelo ex-diretor da Petrobrás, Dilma não escondeu a contrariedade e disse que o ministro já deu explicações oficiais. 

Em São Paulo, também em entrevista no comitê de sua campanha, Marina voltou a acusar o governo Dilma de “inviabilizar” a estatal e recorreu a um versículo da Bíblia (João 8:32) para dizer que não teme o resultado das investigações. “Eu sou do lema de que diz: ‘conhecereis a verdade e ela vos libertará’”, afirmou a candidata do PSB.

Além da associação de Campos aos desvios na estatal, Marina reclamou de uma “campanha difamatória” promovida, segundo ela, pelos adversários. “A sociedade brasileira está assistindo um degradante espetáculo político inédito: PT e PSDB irmanados na determinação de nos destruir, não importam os meios”, acusou a candidata.

Em São Gonçalo, no Rio, Aécio Neves, cobrou manifestação mais firme de Dilma sobre a existência de um esquema de corrupção na Petrobrás, “Não dá para dizer que (Dilma) não sabia de nada. Esse é o resultado mais perverso da pior das marcas do governo do PT, o aparelhamento do Estado brasileiro”, disse o tucano.

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), coordenador jurídico da campanha de Aécio, vai apresentar esta semana dois requerimentos na CPI mista da Petrobrás. O primeiro pede que a Polícia Federal compartilhe as provas com a comissão. O segundo solicita que a comissão ouça imediatamente o ex-diretor da Petrobrás.

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