Flávio Bolsonaro / Divulgação
Flávio Bolsonaro / Divulgação

Campanhas discutirão segurança com a Polícia Federal neste sábado à tarde

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou que o efetivo destinado à segurança dos candidatos à Presidência nas eleições 2018 será ampliado em 60%

Breno Pires e Fabio Serapião, O Estado de S.Paulo

07 Setembro 2018 | 20h17

Após o candidato nas eleições 2018 Jair Bolsonaro (PSL) ser atacado em ato público, a Polícia Federal agendou para as 16h deste sábado, 8, uma reunião com representantes de campanhas para discutir a segurança dos candidatos à Presidência da República. O objetivo do encontro, convocado pelo diretor-geral da PF, Rogério Galloro, é reavaliar o "grau de risco" de cada campanha e alinhar os procedimentos a serem implementados para garantir a segurança até o fim das eleições.

Antes da reunião com as campanhas, haverá uma reunião interna com os policiais que chefiam as equipes que fazem a segurança dos candidatos. Enquanto a primeira reunião tem por objetivo reavaliar a situação e definir a estratégia da segurança a ser realizada pela PF daqui pra frente, o segundo encontro tem como finalidade "sensibilizar" as campanhas sobre a importância de seguir as regras de segurança a serem estipuladas. Os convidados que estiverem em alguma agenda com os candidatos deverão participar por meio de videoconferência.

No momento, apenas cinco candidatos têm segurança feita pela Polícia Federal, porque foram os únicos que pediram. São Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB), Alvaro Dias (Podemos) e o próprio Bolsonaro — que tem o maior número, 21. A ampliação das equipes de segurança é um dos pontos que serão discutidos nas duas reuniões. O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou nesta sexta-feira, 7, o efetivo da PF destinado à segurança dos candidatos à Presidência será ampliado em 60%. Até antes do ataque, 80 policiais já haviam sido destacados para acompanhar os candidatos.

Teoricamente, apenas representantes destas campanhas estarão na reunião deste sábado. As assessorias de imprensa confirmaram a presença de Marina Silva, Álvaro Dias e Ciro Gomes no encontro — a de Alckmin não respondeu. Questionada sobre se poderá pedir incremento no efetivo de policiais, a campanha de Ciro Gomes disse que "a questão está sendo avaliada e serão observadas as medidas adotadas pelo Polícia Federal".

Um policial envolvido na segurança disse ao Estado que a reunião com os representantes das campanhas é muito importante porque a relação entre os seguranças da PF e os candidatos nunca é de subordinação. Como exemplo, cita esse policial federal, a PF não pode obrigar o candidato a evitar eventos espontâneos – como ser carregado nos braços da multidão, mudar trajeto em cima da hora ou quebrar algum protocolo de segurança. Nesse cenário e com o novo grau de risco após o atentado a Bolsonaro, a PF quer conscientizar as campanhas sobre a importância do candidato seguir os protocolos estabelecidos pela equipe de segurança.

As campanhas de Henrique Meirelles (MDB) e Guilherme Boulos (PSOL) avaliam pedir à Polícia Federal a disponibilização de policiais federais para fazerem segurança dos dois presidenciáveis. João Amoêdo (Novo) não pretende fazer semelhante pedido.

As três campanhas disseram ao Estado não terem recebido convite para participar da reunião deste sábado. As assessorias de imprensa dos candidatos do PSOL e do MDB disseram que, apesar de ainda não terem feito um pedido para receber segurança, estão avaliando essa possibilidade, depois do ocorrido na quinta-feira em Minas Gerais. 

João Amoedo (Novo), por sua vez, não pretende pedir reforço da PF por discordar do emprego de uso público em campanhas eleitorais. "Nós achamos que todos os partidos e candidatos devem financiar suas campanhas, inclusive a segurança, com recursos próprios", disse em nota a assessoria de imprensa do candidato. Por sua vez, a campanha do PT disse que, por estratégia de segurança, não dará informações sobre o tema. 

Está previsto na lei 7.474/1986 a responsabilidade do Ministério da Justiça pela segurança dos candidatos à Presidência da República, a partir da homologação em convenção partidária. É com base nesta lei que a PF disponibiliza policiais.

Candidatos que ainda não contam com segurança da PF ainda podem fazer uma solicitação à Polícia Federal. Uma fonte na Polícia Federal disse ao Estado que até o fim da tarde desta sexta-feira, 7, nenhuma outra campanha tinha solicitado seguranças à Polícia Federal. A campanha do PT disse que, por estratégia de segurança, não dará informações sobre o tema.

Boicote

O presidente nacional do PSL, Gustavo Bebbiano, disse à Coluna do Estadão que o partido não enviará nenhum representante para a reunião convocada pela Polícia Federal com coordenadores de campanha para tratar da segurança dos presidenciáveis

Para Bebbiano, o encontro serve apenas para a PF "ficar bem na fotografia" depois do atentado ao candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro. "Esse tipo de reunião é simplesmente para proteção política das autoridades. Estão preocupados com a imagem deles, muito mais com a imagem do que com a operação (de segurança) em si", afirmou Bebbiano.

"Cada candidato tem um perfil, cada candidato tem um nível de risco. O que adianta uma reunião padronizada com os representantes? Não adianta nada, só pra ficar bem na fotografia", criticou o presidente nacional do PSL.

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