Campanhas de Dilma e Aécio trocam acusações de intimidação à imprensa

No horário eleitoral do rádio, PT compara tucano 'a tempo da ditadura' e PSDB diz que petistas fazem 'lista negra' de jornalistas

Lilian Venturini e José Roberto Castro

15 de outubro de 2014 | 08h45

São Paulo - As campanhas dos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) trocaram acusações de tentativas de "intimidar" a imprensa, durante os programas do horário eleitoral do rádio, transmitidos na manhã desta quarta-feira, 15. A propaganda petista comparou a relação de Aécio com os meios de comunicação "ao tempo da ditadura" e a tucana acusou Dilma de fazer uma "lista negra" de jornalistas críticos à gestão do PT.

Os ataques foram feitos no final dos programas e verbalizados por locutores. "Você sabia que o Aécio e seu grupo são acusados de intimidar e perseguir jornalistas que denunciavam ou criticavam seu governo?", disse um dos apresentadores da campanha do PT. A propaganda transmitiu ainda a declaração da jornalista Eneida da Costa, ex-presidente do sindicato da categoria de Minas. "Tudo que desagravada o governo de Aécio era como no tempo da ditadura. Era um telefonema e o repórter, o fotógrafo, o editor, o jornalista, em qualquer posto, estava ameaçado de perder o seu emprego."

As declarações foram feitas no trecho da propaganda dedicado a tentar desconstruir a gestão do tucano como governador de Minas Gerais - uma das principais estratégias usadas pela campanha no segundo turno.

A propaganda tucana, por sua vez, acusou o PT de fazer uma "lista negra" com nomes de jornalistas que criticam os governos petistas.

"Se eu der minha opinião completa sobre o que eu acho dessa campanha de mentiras feitas pelo PT, eles certamente vão me colocar na lista negra. já fizeram uma com jornalistas e para tentar intimidar a imprensa publicaram no próprio site do PT", afirmou um comentarista político apresentado como César Reis. A fala faz referência a um artigo de Alberto Cantalice, vice-presidente do partido e coordenador de redes sociais da legenda. No texto publicado em junho, Cantalice menciona jornalistas que, segundo ele, são "propagadores do ódio".

Nordeste. A campanha petista dedicou ao Nordeste 7min da propaganda eleitoral, que tem 10min no total. Com participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a propaganda apresentou dados econômicos da região e falou sobre obras executadas pelo governo federal. Dilma também voltou a combater o "preconceito de certas pessoas" contra os Estados nordestinos.

"A gente não aceita ser chamado de ignorante como muitos apoiadores do Aécio estão dizendo nas redes sociais", afirmou um dos locutores, com sotaque nordestino. A campanha de Dilma começou a fazer uma defesa à região após manifestações preconceituosas feitas por internautas nas redes sociais insatisfeitos com a votação recebida por Dilma no 1º turno. Declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de que eleitores que votam em Dilma são "mal informados" acirrou a troca de acusações entre as duas campanhas.

'Mentiras'. A propaganda tucana repetiu trechos de outros programas transmitidos no 1º turno e por duas vezes acusou Dilma de fazer uma "campanha de mentiras".  "Vamos acabar com a mentira do programa da Dilma", disse um locutor, em seguida rebatido por outro apresentador: "Qual delas?" A exemplo do horário eleitoral da TV desta terça, 14, a campanha respondeu ao PT e negou que o governo de Minas descumpra o pagamento de piso salarial de professores.

O comentarista César Reis finalizou a propaganda afirmando que petistas "batem [em Aécio] sem compromisso com a verdade". "Quando um presidente perde o respeito, perde o direito de pedir que o povo o respeite", completou.

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