Campanha tem início em clima de denúncia em Pernambuco

Deputado João Paulo disse que PSB fez pressão para que escolas de samba não cedessem espaço para atividade de campanha

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

06 de julho de 2014 | 17h00

RECIFE - A campanha ao governo de Pernambuco teve início neste domingo, 6, com denúncias contra a Frente Popular, coligação que apoia o candidato do presidenciável Eduardo Campos, Paulo Câmara (PSB). O candidato ao Senado na chapa do candidato a governador Armando Monteiro Neto (PTB), o deputado federal João Paulo (PT) denunciou ter havido "forte pressão" do PSB - à frente da prefeitura da capital e do governo estadual - com "ameaça de corte de subsídios" a duas escolas de samba - Acadêmicos do Morro e Galeria do Ritmo, sediadas no Morro da Conceição, zona norte do Recife - para não cederem suas quadras para uma atividade de campanha do petebista. 

 

De acordo com a assessoria da coligação Pernambuco Vai Mais Longe (PTB-PDT-PT), depois de acertar o espaço, a Acadêmicos do Morro voltou atrás, nesta semana, diante da pressão do PSB. Depois foi a vez da Galeria do Ritmo, que também não aceitou dispor a quadra, depois de tudo acertado. "Vemos com muita preocupação o processo eleitoral", disse João Paulo. "Eles (o PSB) vão usar de todo tipo de maldade nesta campanha". Sem fazer acusações diretas, Monteiro Neto disse haver "indicações" de pressão em relação às escolas de samba. "Prefiro não valorizar" afirmou ele ao lembrar que "se valer da política da esperteza, da baixaria e do golpe quase sempre conduz a maus resultados".

 

As escolas estavam fechadas no final da manhã, quando Armando Monteiro e sua militância fizeram uma caminhada no Morro da Conceição, vindos do bairro de Brasília Teimosa, na zona sul, onde foi deflagrada a campanha de rua. Nenhum representante das escolas assumiu a denúncia. Apontado como testemunha da atitude repressora do PSB, o ex-diretor da Galeria do Ritmo, José Pedro da Silva, conhecido como "Matuto", disse não saber de nenhum tipo de pressão ou ameaça. "Nada a ver", reagiu ele, creditando a situação a "uma briga interna do PT".

 

A assessoria da Frente Popular disse que a denúncia "não procede". Afirmou não ter havido nenhuma ação, nem da coligação e nem do PSB, para que os espaços não fossem alugados ao candidato Armando Monteiro Neto. Também destacou que se trata de locais privados.

 

A escolha do Bairro de Brasília Teimosa, na zona sul, para iniciar a campanha foi  "simbólica", segundo Monteiro Neto (PTB), por se tratar do primeiro local a ser visitado pelo ex-presidente Lula no seu primeiro mandato, em 2003, quando teve início a reurbanização da área, que era tomada por palafitas. Acompanhado dos companheiros de chapa e lideranças do PT, ele teve boa receptividade.

 

Ainda desconhecido da população, o ex-secretário estadual de Fazenda, Paulo Câmara, fez o caminho inverso. Seu primeiro ato de campanha ocorreu no município de Santa Filomena, de cerca de 10 mil habitantes, no sertão do Araripe, a 718 quilômetros da capital. Segundo sua assessoria, a escolha reforça a meta do candidato de interiorizar o desenvolvimento do Estado. Ao assumir o governo de Pernambuco, Eduardo Campos,  prestigiou Santa Filomena com projetos de infra-estrutura. 

 

O candidato do PSOL, José Gomes, realizou ato em favor de eleições limpas, no Parque da Jaqueira, no Recife, pregando a participação ativa da população através de fiscalização e de denúncias de irregularidades.

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