Campanha no 2º turno em Salvador mostra que nada mudou

Eles passaram os últimos dias prometendo mudar, deixando de lado a briga em torno da amizade com Lula

Tiágo Décimo, de O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2008 | 18h47

Os concorrentes no segundo turno da eleição à prefeitura de Salvador (BA), João Henrique Carneiro (PMDB), candidato à reeleição, e Walter Pinheiro (PT), passaram os últimos dias prometendo mudar suas propagandas eleitorais, deixando de lado a briga em torno da amizade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para apresentar "propostas reais". O primeiro dia da campanha dos candidatos em rádio e TV, porém, deu mostras de que nada mudou.  Veja Também: Geografia do voto: Desempenho dos partidos nas cidades brasileiras Confira o resultado eleitoral nas capitais do País As principais promessas dos candidatos   O primeiro a entrar no ar no horário eleitoral gratuito foi Carneiro. No programa, tirando o início, no qual o atual prefeito agradeceu pelos votos recebidos, o que se viu foi uma série de tentativas de atrelar o mandato dele ao presidente e ataques ao candidato petista.  O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, principal cabo eleitoral de Carneiro, deu seu testemunho. Afirmou que votar no candidato concorrente seria "uma aventura" e garantiu que o repasse de recursos federais está garantido - por ele - em caso de vitória do peemedebista.  Impedido pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia de usar imagens de Lula em seu programa, o PMDB lançou mão de uma tática curiosa. Depois de o apresentador dizer que Carneiro "não precisa se apoiar na imagem do presidente", porque tem uma "forte parceria" com Lula, foi veiculada uma série de imagens de obras feitas pelo prefeito na cidade. "Olha aí: Lula com João... Lula com João... Lula com João", dizia o narrador, enquanto as imagens eram trocadas. O programa terminou com ataques a uma suposta "tentativa de enganar a população" que Pinheiro tem usado em seu programa. Por meio de uma mixagem de imagens, o candidato petista mostra trechos de dois comícios em Salvador: um dele, recente, e outro no qual Lula participou, em 2006, quando concorria à reeleição. Para o PMDB, Pinheiro quer convencer os eleitores de que Lula esteve em algum ato de campanha dele - o que não ocorreu. "Você confia em um candidato que engana a população?", disse a narração do programa do atual prefeito. Nos dez minutos seguintes, foi a vez de Pinheiro voltar ao tema "parceria verdadeira" com o governo federal. O petista também agradeceu a confiança da população e falou que gostaria de fazer uma campanha de propostas durante o horário eleitoral no segundo turno. A intenção durou pouco. O governador Jaques Wagner (PT), que chegou a propor a não-participação dos governos federal e estadual na eleição soteropolitana logo após a divulgação dos resultados do primeiro turno, também foi à TV pedir votos para seu candidato, em nome de "uma renovação na prefeitura e uma maior parceria com o governo federal". O clipe com as imagens dos discursos de Lula e Pinheiro, atacado pelo programa de Carneiro, voltou ao ar. E o tema musical da campanha do segundo turno petista não deixa dúvidas sobre as intenções dos marqueteiros da campanha: "Lá em casa todo mundo é 13 / É Lula, é Pinheiro, é de coração".

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