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Campanha do PT agora com pincel, cartolina e isopor

Partido faz série de vídeos com dicas sobre como produzir material barato para TV e internet

O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2016 | 05h00

SÃO PAULO - Depois de mais de 10 anos acostumado a campanhas milionárias, com estruturas cinematográficas e os marqueteiros mais valorizados do mercado, o PT vai ter de se adaptar a uma outra realidade nas eleições de outubro. 

Com a proibição das doações empresariais a campanhas, o PT tenta ensinar a seus candidatos a usar a criatividade para driblar a falta de dinheiro. Um dirigente comparou a nova fase do partido ao lema do movimento punk da década de 1970: “faça você mesmo”. 

Em uma série de vídeos disponíveis na página do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE), o PT de São Paulo – que acumula dívida de mais de R$ 23 milhões – ensina os candidatos do partido a produzir material para internet e até para os programas de TV usando telefone celular, cartolina, pincel atômico e placas de isopor. 

“O bacana é que o custo é baixo e você mesmo pode fazer”, afirma o publicitário Nader el Kadri, autor dos tutoriais. “Não precisa de estúdio ou equipamento caro nem de equipe grande. Você só precisa aprender a usar da melhor forma o celular”, diz o publicitário. 

O contraste é grande se comparado às últimas campanhas do PT nas quais eram usados equipamentos de última geração, com qualidade cinematográfica e equipes gigantescas. 

O guia da campanha criativa ensina desde a preparação e escolha de equipamentos baratos até a edição dos vídeos. No caso de gravação em locais fechados, el Kadri pede atenção com os mínimos detalhes. “Escolha uma parede bonita e, de preferência, limpa (...) Pode parecer bobagem, mas tire as crianças da sala”, ensina ele. 

Já para as tomadas externas, o publicitário sugere o uso de um pau de selfie. Em ambos os casos, el Kadri destaca cuidado especial com a luz. Nas cenas internas, ele mostra como usar um abajur na iluminação. Nas externas, sugere que o candidato “utilize uma placa grande de isopor como rebatedor”. 

‘Genérico’. Simultaneamente, a direção nacional do PT colocou à disposição de seus filiados um pacote de campanha “genérico”, que pode ser usado por qualquer candidato. São 30 spots de rádio e TV com mensagens que fazem a defesa do partido, destacam bandeiras das administrações petistas e podem ser complementados com os nomes dos candidatos ou das cidades onde ocorre a disputa. 

“Esta eleição será especialmente difícil, tanto pelas fortes restrições da nova legislação eleitoral como pelo ataque difamatório pesado que o PT vem sofrendo diariamente. E esta é a nossa forma de ajudar, porque sabemos da dificuldade que muitas companheiras e companheiros têm de produzir material”, disse o publicitário.

A pindaíba tem afetado os planos do PT para estas eleições. O total de candidatos deve cair ao menor número dos últimos 20 anos e até as campanhas prioritárias vão ter de apertar o cinto. 

São Paulo. Candidato à reeleição, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), prevê gastar 30% dos R$ 90 milhões empregados na campanha de 2012. O PT espera arrecadar um terço do valor, cerca de R$ 10 milhões, por meio de duas plataformas digitais para receber doações de eleitores. A meta considerada otimista tem como base o fato de que cerca de 1.200 brasileiros fizeram doações ao ex-pré-candidato derrotado à presidência dos Estados Unidos, Bernie Sanders. 

Parte do custo do material impresso será repassada aos 155 candidatos a vereador da coligação. Em reunião na semana passada, Haddad disse que eles terão de “fazer muito mais do que costumam fazer” na divulgação da candidatura majoritária.

A campanha de Haddad espera que o PT nacional arque com pelo menos 20% da campanha, mas a cúpula partidária resiste. Até agora, foram repassados apenas R$ 150 mil para a campanha na maior cidade do País. 

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