Campanha de Serra e Haddad tem guerra de panfletos e blitz em AMA

Candidatos tentam emplacar versões sobre parcerias na saúde; petistas até visitam unidades

Diego Zanchetta e Bruno Boghossian, de O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2012 | 03h07

As campanhas de Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB) na disputa pela Prefeitura de São Paulo passaram a travar uma guerrilha de informação e contrainformação no debate sobre a contratação de organizações sociais (OS), com distribuição de panfletos e blitz em unidades de saúde.

Os tucanos entregaram em cinco bairros da periferia milhares de folhetos que acusam o PT de querer encerrar a parceria de entidades privadas com hospitais públicos. Em resposta, aliados e cabos eleitorais de Haddad passaram a visitar unidades de saúde para dizer a usuários e funcionários que a informação é falsa.

Militantes da campanha petista começaram a percorrer nessa quarta-feira, 24, unidades de Atendimento Médico Ambulatorial (AMA) para conversar com trabalhadores e pacientes. Pela manhã, eles estiveram na AMA Sé (centro), na AMA Especialidades Santa Cecília (centro), na AMA Mandaqui (zona norte) e na AMA Especialidades Itaquera (zona leste), uma das mais movimentadas da capital.

Pacientes disseram ao Estado que cabos eleitorais de Haddad os abordaram na saída da unidade de Itaquera por volta das 9h e entregaram panfletos em que acusam Serra de mentir sobre o fim das parcerias na saúde.

"Mas será que vai acabar mesmo, com o PT? É o que estão falando, né?", disse o marceneiro José Luis Moreira Rodrigues, de 44 anos, que elogiou a AMA. "Aqui tem atendimento rápido sempre. É uma maravilha. Queria votar para o PT, mas estou com medo de eles fecharem nossa AMA."

Mesmo pacientes que criticam o sistema demonstraram receio. "Aqui falta médico e sempre tem fila, mas pelo menos existe", afirmou Jorge Augusto da Silveira, de 51 anos, na AMA Mandaqui.

Enfermeiros e funcionários das unidades do centro também receberam panfletos. Eles acreditam que Haddad encerrará as parcerias se for eleito. "O Sírio-Libanês tem permitido um trabalho impecável desde a abertura da unidade. Esse lugar está sempre limpo e com médicos. Se acabar, quem vai sofrer é a população carente do centro", afirmou uma servidora da recepção, que pediu para não ser identificada.

"Estou com medo de perder o emprego", disse uma colega.

A coordenação da campanha petista também convocou presidentes de associações de moradores e até padres ligados a entidades mantidas por igrejas para conversar com sindicalistas que representam os trabalhadores de entidades conveniadas.

Entre os escalados para fazer a campanha petista estão dois parlamentares que criticaram e denunciaram irregularidades nas organizações sociais, os vereadores Carlos Neder e Juliana Cardoso.

Ofensiva. A equipe de Serra distribuiu pelo menos 100 mil panfletos que afirmam que Haddad vai suspender os contratos entre entidades privadas e unidades de saúde de bairros da periferia como Itaim Paulista, M'Boi Mirim e Cidade Tiradentes.

"Haddad vai tirar as irmãs Marcelinas do Hospital Estadual do Itaim Paulista. Haddad é contra as organizações sociais", diz um dos folhetos. "A saúde piorou com o PT e Haddad agora quer acabar com o que está funcionando. Por que Haddad quer tirar a qualidade das irmãs Marcelinas da população de Itaim Paulista?"

O modelo se repete nos casos do hospital do M'Boi Mirim, gerenciado por uma OS em parceria com o Hospital Albert Einstein, e do hospital da Cidade Tiradentes, administrado pela Casa de Saúde Santa Marcelina.

O material da campanha de Serra reproduz também um trecho do programa de governo do petista, que diz que Haddad pretende "retomar a direção pública da gestão regional e microrregional do sistema municipal de saúde".

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