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Campanha de Russomanno pede reunião com d. Odilo

Candidato do PRB tenta 'esfriar' polêmica após ser alvo de crítica da Arquidiocese de São Paulo

O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2012 | 03h01

Fortaleza. O ex-ministro Ciro Gomes tem saído às ruas e falado direto com eleitores para escolher Roberto Cláudio (PSB) para prefeito

A coordenação de campanha do candidato a prefeito de São Paulo Celso Russomanno (PRB) quer marcar uma reunião até amanhã com o arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, para apaziguar os ânimos após os católicos criticarem o presidente nacional da sigla, Marcos Pereira. A informação é do presidente estadual do PTB, deputado estadual Campos Machado, integrante da coordenação política da campanha.

"Se até quarta-feira for marcada essa reunião, certamente ele vai participar", disse o parlamentar, ao chegar ontem ao debate promovido pelo Estado, pela TV Cultura e pelo YouTube. Machado referia-se ao encontro que a Arquidiocese de São Paulo vai promover na quinta-feira com os cinco candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto na capital paulista.

O tucano José Serra e o petista Fernando Haddad confirmaram ontem que vão participar do encontro. Questionado sobre o assunto pela manhã, Russomanno foi lacônico: "Estou com a agenda carregada. Mas vou fazer o possível para encaixar na agenda".

A Arquidiocese tem criticado Pereira - que também é coordenador da campanha de Russomanno e bispo licenciado da Universal - por causa de um post publicado em seu blog em maio de 2011, recentemente divulgado em redes sociais. Pereira escreveu que a Igreja Católica teria responsabilidade em ações do governo como a ideia de distribuir material de combate à homofobia nas escolas. A iniciativa do Ministério da Educação foi atacada e apelidada de "kit gay" pelas entidades contrárias à medida e, por isso, acabou suspensa por decisão do Palácio do Planalto.

A Arquidiocese fez ataques públicos ao PRB em duas ocasiões. Na quinta-feira, divulgou nota, redigida a pedido de d. Odilo, em que acusa Pereira de "fomentar a discórdia" e fazer críticas destemperadas aos católicos. "Se já fomentam a discórdia, ataques e ofensas sem o poder, o que esperar se o conquistarem pelo voto?"

No domingo, o arcebispo voltou a falar do presidente do PRB, dessa vez em nota assinada pelo próprio d. Odilo e lida em missa na Catedral da Sé. O texto acusou "o chefe da campanha de um candidato à Prefeitura de São Paulo" de ter "ofendido e desprezado" os fiéis "de toda a Igreja Católica no Brasil".

A campanha de Russomanno ficou "assustada" com a ofensiva da Arquidiocese. Há até quem acredite que os católicos queiram beneficiar um adversário do candidato do PRB, sem especificar quem. Por isso, a ordem é tentar esfriar a polêmica.

Twitter. Apesar de ter sido publicado há um ano e meio, o artigo de Pereira foi enviado várias vezes ao dia a padres e ao perfil do próprio d. Odilo no Twitter por um usuário falso, que criou sua página no dia 10 e só mencionou o blog do presidente do PRB. Na nota, o cardeal rebateu acusações de que "o fato foi trazido à tona por ela mesma, ou por um 'falso blogueiro'".

Ontem, d. Odilo lembrou que a Arquidiocese convidou os candidatos para o debate na quinta-feira, em um colégio no Tatuapé, zona leste. Além de Serra, Haddad e Russomanno, foram convidados Gabriel Chalita (PMDB) e Soninha Francine (PPS).

Foram convidados para o evento os padres da Arquidiocese, religiosos e lideranças da Igreja. A coordenação estuda a possibilidade de abrir vagas para o público. O debate será transmitido ao vivo pelo site da Arquidiocese. De acordo com a convocação aos católicos, divulgada pela assessoria de imprensa da Arquidiocese, "a ideia não é a disputa religiosa ou tratar de temas que não são da esfera municipal". A ideia é "debater propostas para a cidade e fazer com que os candidatos ouçam as demandas da Igreja Católica".

Nas últimas semanas, a disputa em São Paulo tem vivido uma corrida pelo voto de religiosos, principalmente evangélicos. Além da Universal, alas da Assembleia de Deus declararam apoio a Russomanno, Serra e Chalita. Em entrevista ao Estado na sexta-feira, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Raymundo Damasceno, disse que "não se pode instrumentalizar a religião para angariar votos". / DAIENE CARDOSO, BRUNO LUPION, PEDRO DA ROCHA, RICARDO CHAPOLA e ADRIANA CARRANCA

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