GABRIELA BILO|ESTADÃO
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Campanha de Marta culpa 'agenda negativa' do governo Temer por mau desempenho

Senadora que trocou o PT pelo PMDB chegou a liderar as pesquisas de intenção de voto no início da campanha, mas, nesta reta final, está ameaçada de não chegar ao segundo turno

GABRIELA BILO|ESTADÃO
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Isadora Peron, Vera Rosa e Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

28 de setembro de 2016 | 20h41

Brasília - A coordenação da campanha de Marta Suplicy, candidata do PMDB à Prefeitura de São Paulo, avalia que o "maior inimigo" da senadora, hoje, é o governo, que encampou uma “agenda negativa” de reformas e medidas impopulares. Marta chegou a liderar as pesquisas de intenção de voto no início da campanha, mas, nesta reta final, está ameaçada de não chegar ao segundo turno.

Segundo interlocutores da peemedebista, Marta “apanha” todos os dias dos principais adversários por ser do partido do presidente Michel Temer, que está patrocinando pautas como a reforma da Previdência e a PEC do teto de gastos. Eles lembram, por exemplo, que essas questões foram abordadas pelo candidato do PT, o atual prefeito Fernando Haddad, na televisão. 

“Do governo, tivemos só o desgaste", afirmou um integrante da campanha, argumentando que Temer e a cúpula do PMDB não deram o apoio necessário para a candidata.

Sem esconder o ressentimento, integrantes da equipe de Marta dizem que o presidente municipal do PMDB, José Yunes, esteve há poucos dias em um evento do Lide, grupo coordenado pelo candidato do PSDB, João Doria. Segundo informações que chegaram ao comitê da senadora, o próprio Temer deve participar de um encontro semelhante nas próximas semanas.

Para a equipe de Marta, Temer errou em se manter afastado das eleições municipais e o PMDB deve sofrer as consequências nas urnas. O grupo também afirma que a derrota trará consequências pós-eleições, tornando o governo ainda mais dependente do PSDB ou de outros partidos do chamado “centrão”.

O Palácio do Planalto tenta manter distância da crise que atinge o comitê de Marta e rechaça a versão de que o governo estaria prejudicando a campanha da candidata.

Para interlocutores de Temer, as críticas de Marta soam como um “pedido de socorro na reta final”, já que Temer não entrou na campanha para preservar a base aliada e evitar “feridas” após as eleições. 

Auxiliares do presidente também afirmam que ela é vítima de uma espécie de “crise de identidade”, não conseguindo explicar a transição do PT para o PMDB. Em conversas reservadas, o comentário no Planalto é o de que Marta entrou num jogo de “perde-perde”. Pesquisas indicam que a senadora perdeu votos dos dois lados: tanto dos petistas como de quem não gosta do PT, mas também não quer saber do PMDB de Temer.

Apesar de não ter feito nenhum movimento para ajudar Marta até agora, Temer cedeu à pressão dos aliados e desistiu de enviar nesta semana a reforma da Previdência ao Congresso. A proposta será encaminhada em novembro, depois das eleições. A avaliação do Planalto é de que se trata de assunto muito árido, que pode tirar votos de candidatos da base aliada na última semana da campanha.

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