Campanha de Marina diz que corrupção fez Petrobrás comprar 'refinaria velha'

Sem aparecer, candidata usa todo horário eleitoral do rádio para explorar denúncias contra a estatal; PT e PSDB mantiveram críticas à ex-ministra

Lilian Venturini e Stefânia Akel, O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2014 | 08h24

Atualizado às 9h15

São Paulo - A campanha da candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, acusou o governo do PT de "incompetência" e "corrupção" no episódio da compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), pela Petrobrás, no horário eleitoral do rádio desta terça-feira, 23. Sem mencionar o nome da ex-ministra durante a propaganda, a inserção veiculou o ataque mais duro até agora à presidente Dilma Rousseff (PT) desde o início do horário gratuito, em 19 de agosto.

Durante os 2min3s do tempo disponível pela coligação do PSB, locutores leram manchetes de jornais e revistas com denúncias envolvendo a estatal e criticaram a gestão dos governos petistas. Foram mencionadas informações atribuídas à delação do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, que teria relatado a existência de um esquema de propina a políticos a partir de contratos da estatal, além de explorar a compra da refinaria de Pasadena.

"A má gestão, a incompetência e a corrupção fizeram a Petrobrás comprar essa refinaria velha", diz um dos locutores, que momentos antes afirmou que "Dilma era presidente do conselho da Petrobrás quando isso aconteceu". A compra de 50% da refinaria foi concluída em 2006. A aquisição teve autorização do Conselho de Administração da Petrobrás, então presidido pela presidente Dilma Rousseff, que deu aval à negociação. Neste ano, a estatal reconheceu que o negócio não foi vantajoso, mas negou que tenha havido corrupção. Em julho deste ano, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou prejuízo de US$ 792,3 milhões na compra da unidade.

Principal alvo de ataques dos adversários, Marina em geral usava apenas parte do tempo dos programas eleitorais para responder às críticas. A candidata não mencionava diretamente o PT ou a presidente quando falava sobre as denúncias de corrupção contra a Petrobrás, mas usava expressões como "atual governo" ou "velha política". Nesta terça, a voz de Marina ou de qualquer integrante do partido não aparece em nenhum momento e as referências foram diretas ao partido. A propaganda diz que "nas mãos da Dilma e do PT" a Petrobrás perdeu valor e dinheiro que poderia ter sido usado para o programa Bolsa Família. "Imagina o que pode acontecer se a Petrobrás continuar mais quatro anos nas mãos dessa turma", conclui o locutor.

Dilma e Aécio. As propagandas do PT e do candidato Aécio Neves (PSDB) desta terça focaram temas como experiência política e habitação, mas sem deixar de lado críticas à adversária Marina Silva (PSB), que, segundo a propaganda tucana, "é a Dilma com outra roupa". A exemplo dos últimos programas, Aécio procura vincular Marina ao PT, lembrando que a candidata já fez parte do partido e foi ministra do governo Lula.

O PT, por sua vez, usou o horário eleitoral para falar de programas para deficientes e habitação, mas manteve críticas a Marina em alguns momentos. O programa afirmou que a candidata votou a favor da CPMF, mas o site do Senado diz o contrário. "Dona Marina, dizer que fez uma coisa quando na verdade fez outra tem um nome, viu?", disse um locutor. "Que coisa feia, dona Marina", criticou outro.

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