Campanha de Marina cobra programa de governo de Dilma

No rádio, candidata do PSB explora ausência de documento detalhado da petista; presidente mantém ataques à ex-ministra, a quem define como 'salto no escuro'

Lilian Venturini e José Roberto Castro, O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2014 | 08h45

Atualizado às 10 horas

São Paulo - A campanha da candidata do PSB, Marina Silva, explorou o fato de a presidente Dilma Rousseff (PT) não ter apresentado um plano de governo detalhado a poucos dias das eleições. No horário eleitoral do rádio da manhã desta terça-feira, 30, o programa da ex-ministra atacou o "lero-lero" da campanha petista. Já a presidente continuou o foco dos ataques contra a ex-ministra, a quem, sem citar seu nome, definiu como um "salto no escuro".

Marina foi a primeira entre os três principais candidatos à Presidência a apresentar uma versão detalhada do programa de governo, no fim de agosto. O documento, no entanto, foi corrigido menos de 24 horas depois para a retirada de trechos que defendiam diretos da causa gay. A retificação causou repercussão negativa à ex-ministra e foi explorada pelos adversários.

O episódio envolvendo a candidata deixou as campanhas de Dilma e de Aécio Neves (PSDB) em alerta. O tucano, que havia prometido apresentar o plano na íntegra nessa segunda-feira, 29, resolveu lançar o documento aos poucos, pelo Facebook. A presidente, por sua vez, não deve divulgar uma nova versão do programa para substituir a apresentada à Justiça Eleitoral no momento do registro da candidatura, em julho - em geral, uma versão mais genérica.

A ausência de um programa detalhado já vinha sendo atacado por Marina, que até então dirigia às críticas aos dois adversários. Agora, os ataques ficaram direcionadas à petista. A voz da ex-ministra não apareceu no horário eleitoral desta terça. Locutores abriram o programa com o discurso anti-Dilma. "No Brasil da Dilma, a inflação está controlada. Mas no Brasil de quem faz compras, a inflação voltou. O Brasil da Dilma só existe na propaganda do PT." Na sequência, um jingle diz que o povo já não "aguenta bate-boca e lero-lero". O minuto restante foi usado para exaltar a biografia de Marina.

O programa petista repetiu os últimos formatos. Destacou programas executados pelos governos Lula e Dilma e dedicou uma pequena parte dos 11min24 à comparação das duas opções em disputa nessas eleições. Sem mencionar o nome de Marina, Dilma afirmou que "do outro lado" está a opção da "aventura", do "salto no escuro". "Tem cada dia mais cara de retrocesso", afirmou a presidente.

Aécio. O programa de Aécio reforçou o discurso do "voto útil". Em terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, o tucano repetiu o mote de "tirar o PT do governo" como parte da estratégia de levar o candidato para o segundo turno. "Agora é com você, que conhece o Aécio e sabe que ele é voto útil para tirar o PT mesmo", diz a locutora. "Quem tira o PT do governo somos nós", complementou o tucano.

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