Campanha de divisão do Pará vira ‘ringue’ para Duda e governador

Simão Jatene, contrário à criação de novos Estados, acusou marqueteiro, na TV, de tratar paraenses como 'galos de rinha'

Daniel Bramatti, enviado especial

07 de dezembro de 2011 | 03h03

SANTARÉM - Os grupos separatistas que defendem a criação dos Estados de Carajás e Tapajós comemoraram discretamente a atitude do governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), que ontem voltou a se colocar no centro do debate político sobre a divisão do Estado, tema que será alvo de plebiscito no próximo domingo.

Jatene, que obteve direito de resposta no horário de propaganda das frentes separatistas, apareceu em rede estadual de rádio e TV fazendo críticas indiretas ao marqueteiro Duda Mendonça, que comanda a propaganda do "sim", pela divisão do Pará.

Sem citar nomes, o governador disse que "vendedores de ilusões sem identidade" tratam o povo paraense como "galos de rinha". Em 2004, Duda Mendonça chegou a ser detido pela Polícia Federal por seu envolvimento em rinhas de galo.

Ataque. Nos últimos dias, diante da dificuldade de conquistar eleitores em Belém e arredores - a região mais densamente povoada do Pará -, o marqueteiro decidiu centrar críticas ao governador e associá-lo à campanha do "não".

A ideia é capitalizar a rejeição que Jatene sofre na capital e na região metropolitana, levando os moradores a votar "sim" no plebiscito como forma de impor uma derrota ao governador.

Segundo integrantes da frente pró-Tapajós, que pediram para que seus nomes não fossem divulgados, Duda estabeleceu a estratégia após avaliar pesquisas qualitativas sobre o tucano.

Nos últimos dias, a campanha dos separatistas na televisão passou a responsabilizar Jatene por problemas do Estado. Ele foi acusado de ter "lavado as mãos" quando era secretário estadual do Planejamento, em 1996, e o governo Fernando Henrique Cardoso aprovou a chamada Lei Kandir, que isentou de impostos estaduais as exportações. O Pará perdeu uma fonte importante de suas receitas, pois as exportações de minério não puderam mais ser taxadas.

Na semana passada, um dos programas dos separatistas foi encerrado com o slogan "Diga não ao Jatene, diga sim para mudar".

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