Campanha de Dilma quer 'vacinar' petista contra crítica na área ambiental

Programa destacará que País alcançou os mais baixos índices de desmatamento e que a implementação do novo Código Florestal vai viabilizar o maior programa de reflorestamento do mundo

Ricardo Della Coletta , O Estado de S. Paulo

05 de setembro de 2014 | 18h10

O comitê da campanha de Dilma Rousseff prepara um documento com propostas para se contrapor ao discurso ambientalista da ex-ministra Marina Silva e "vacinar" a petista contra críticas de que seu governo teria promovido retrocessos na área. O programa de governo da petista para o meio ambiente, em fase final de elaboração, deve destacar que na atual gestão foram registrados os índices mais baixos de desmatamento na Amazônia Legal e que a implementação do novo Código Florestal vai viabilizar o maior programa de reflorestamento do mundo.

O caderno setorial do meio ambiente, um dos 25 que devem ser divulgados na semana que vem, passou a receber atenção especial do comando da campanha após a entrada de Marina Silva na disputa eleitoral - ela substituiu o presidenciável Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo em 13 de agosto. Marina chefiou o ministério do Meio Ambiente entre 2003 e 2008 e desponta neste momento como a principal adversária de Dilma, de acordo com as pesquisas de intenção de voto.

Formado por 13 pontos, o programa de governo da petista para o meio ambiente deverá fazer uma defesa das ações da presidente na área e trará a série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), segundo a qual o desmatamento nos noves Estados da Amazônia Legal tem caído ano a ano, atingindo os mais baixos números no atual governo. Com o quadro, os petistas pretendem argumentar que, mesmo após a saída de Marina da pasta, a curva de desmatamento continuou numa trajetória decrescente e chegou a 4.571 km² desmatados em 2012. Apesar do aumento esperado para 2013 (cerca de 5,8 mil km²), o programa vai ressaltar que, no último ano de Marina, o desmatamento foi de 12.911 km². 

O caderno setorial de meio ambiente foi encaminhado para a coordenação-geral da campanha, responsável por promover os ajustes finais no texto. 

Segundo apurou o Broadcast Político, outro item que merecerá destaque no documento será o Código Florestal, aprovado em 2012 e que à época foi considerado um grande retrocesso pelo grupo liderado pela ex-ministra. Além de defender os vetos de Dilma ao texto, o programa de governo na área ambiental da petista vai argumentar que o cumprimento da lei - principalmente o Cadastro Ambiental Rural e o Programa de Regulamentação Ambiental - vai permitir um crescimento constante da área líquida de florestas no Brasil e a recuperação de áreas degradadas na ordem de 10 mil km² ao ano.

Além de defender o governo, o documento deverá trazer promessas, entre elas a criação de um programa contra o desmatamento no Cerrado semelhante ao que existe hoje para a região amazônica, com monitoramento anual. No texto entregue para a coordenação-geral da campanha, também há um trecho que defende a adoção de políticas que evitem situações de crise hídrica. Governado pelo PSDB, o Estado de São Paulo convive hoje com problemas de abastecimento de água. 

Retrocesso. A campanha de Marina diz que vai abordar a questão ambiental com base nas propostas no programa de governo da sua coligação. Um dos mais próximos aliados de Marina, o biólogo João Paulo Capobiano afirma, no entanto, que, se a presidente Dilma tentar apresentar resultados positivos no tema "é obrigação de todos mostrar que o que ocorreu foi o contrário". "A avaliação do setor ambiental é a de que este é o governo com o maior retrocesso na área", argumenta.

O biólogo diz que a petista não manteve o ritmo de queda do desmatamento, não criou "praticamente nada" em novas unidades de conservação e tampouco avançou em relação à legislação. Ele destaca que a curva decrescente no desflorestamento na Amazônia só foi possível por causa de um programa implementado no início da administração de Marina no Ministério do Meio Ambiente e que houve "abandono de políticas" no atual governo que resultou no aumento registrado em 2013. "Não há nada na questão ambiental que merece destaque positivo", conclui.

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