Campanha adjetivada

Veja quais foram as palavras e termos que tucanos e petistas usaram e abusaram durante o 2º turno da campanha presidencial

Alexandra Martins, O Estado de S. Paulo

25 de outubro de 2014 | 03h00

 Pedir “mais amor, por favor” não funciona em época de campanha eleitoral. O pedido jorrou aos borbotões, em vão, nas redes sociais contra a troca de impropérios entre os dois candidatos que disputam a Presidência neste 2.º turno.

Não só Aécio e Dilma lavaram roupa suja nesta reta final da eleição, com xingamentos mútuos desconcertantes, mas também os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva trouxeram à tona desqualificações típicas de porta de escola, como “filhinho de papai” e “mentiroso”. O ex-governador de São Paulo Alberto Goldman usou um termo de novela das oito, “canalha”, em séria reação contra a associação que fizera Lula entre a campanha tucana e o nazismo.

Tanta troca de adjetivos publicamente custou caro, com peças de rádio e trechos de propaganda de TV retirados do ar pelo Tribunal Superior Eleitoral para evitar o “baile do risca-faca”, como definiu o presidente da corte, Dias Toffoli. De gratuito, aliás, o horário eleitoral não tem nada. Segundo explica o ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, do TSE, a legislação prevê o pagamento às emissoras por meio de renúncia fiscal. Em 2014, diz Neto, a estimativa é de uma renúncia de R$ 839,5 milhões.

O “leviana” do candidato tucano contra a adversária petista provocou reações das mais inflamadas. O “playboyzinho da Caixa” postado no Facebook de Dilma direcionado a Aécio também deixou mágoas. “Moleque” e “filhinho de papai” não foram fáceis de suportar por parte do tucano, principalmente porque o autor do rótulo, Lula, declarou há pouco tempo, de cima de um palanque no norte do País, amizade ao ex-governador de Minas Gerais.

Dilma demonstrou preferência por um adjetivo, “estarrecedor”, mas talvez o tenha de abandonar porque “estarrecedores são os depoimentos de Paulo Roberto Costa”, como rebateu o tucano em um evento no Rio, a respeito dos relatos sobre um esquema de corrupção por parte do ex-diretor da Petrobrás.

“Fantasmas do passado” e “monstros do presente” travam verdadeiro combate a favor do “terrorismo golpista”.

 

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