Câmera no local de explosão na OAB-RJ estava quebrada

A pessoa que deixou o artefato que explodiu na escada entre o 8.º e o 9.º andares do prédio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio, na tarde de quinta-feira, poderia ter sido filmada se a câmera instalada próxima ao local da explosão estivesse funcionando. Investigadores da Polícia Civil suspeitam que o explosivo - popularmente conhecido como "cabeça de nego" - tenha sido colocado por alguém que frequente o edifício ou que contou com a ajuda de uma pessoa que conheça a rotina do local, já que há outras câmeras no prédio que estão funcionando.

MARCELO GOMES / RIO, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2013 | 02h07

A OAB-RJ confirmou que a câmera localizada próximo ao local da explosão está inoperante. Foi criada uma comissão interna para avaliar o esquema de segurança do prédio, considerado obsoleto pela própria autarquia. De acordo com a OAB-RJ, o atual sistema de câmeras apenas faz o monitoramento e, portanto, não grava imagens. Está sendo feito um levantamento de orçamentos para adquirir um sistema mais moderno, com cerca de 50 câmeras em todo o prédio.

Como a OAB é autarquia federal, a investigação do episódio será conduzida pela Polícia Federal, que já instaurou inquérito para apurar o caso. A Polícia Civil vai enviar à PF o procedimento aberto pela 5.ª Delegacia de Polícia (Lapa) na quinta-feira. Além do registro de ocorrência, o procedimento investigatório contém depoimentos de duas testemunhas - Luciano Arantes, diretor financeiro da OAB-RJ, e Anderson Prezia Franco, advogado - e uma cópia do relatório do disque-denúncia.

De acordo com o documento, o disque-denúncia recebeu uma ligação anônima dizendo que haviam sido colocados na sede da OAB-RJ "três dispositivos em série de retardo C4 (espécie de explosivo) de alto poder de destruição por ex-militares da reserva militar (sic) para matar Wadih Damous". Damous presidiu a OAB-RJ até fevereiro e assumirá, na segunda-feira, a presidência do Comissão Estadual da Verdade do Rio, que investigará ações de repressão no Estado.

Comissão. A primeira reunião da Comissão Estadual da Verdade está marcada para quarta-feira. Além de Wadih Damous, integram o colegiado o jornalista Álvaro Caldas; a advogada e presidente do Comitê Brasileiro pela Anistia Eny Raimundo Moreira; o sindicalista e ex-senador Geraldo Cândido; o advogado e ex-deputado Marcelo Cerqueira; o promotor Otávio Bravo e a advogada Nadine Monteiro Borges.

"Essa bomba é um espasmo inútil do autoritarismo e, certamente, vai haver mais provocação com o início do trabalho da comissão. Minha proposta é pedir aos órgãos de inteligência, inclusive militares, que apurem quem são os responsáveis pela bomba", diz Cerqueira.

Para Álvaro Caldas, os locais de tortura, como a Casa da Morte, em Petrópolis, e os desaparecidos devem estar no centro das investigações da comissão do Rio. "Há uma história que cria um ambiente de tensão. O Wadih (Damous) trabalhou muito para desvendar os casos da ditadura no Rio, um dos centros principais de tortura e morte. É preciso revelar nomes", diz Caldas, ex-preso político e autor do livro Tirando o capuz. / COLABOROU LUCIANA NUNES LEAL

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