Stefany Sales
Stefany Sales

Câmara continua sendo uma das mais dominadas por homens no mundo

Apesar do aumento no número de mulheres no Legislativo, País permanece abaixo da média mundial e mesmo dos países árabes

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2018 | 15h26

As eleições 2018 resultarão em um número maior de mulheres na Câmara dos Deputados. Mas, numa comparação com o último ranking da representação feminina no Poder Legislativo, o Brasil ainda ocupará posição modesta e abaixo da média mundial. Em 2014, 51 mulheres haviam sido eleitas para ocupar assentos na Câmara. Agora, foram 77, de um total de 513 deputados.

 

Comparado ao ranking atualizado da União Parlamentar Internacional divulgado em setembro de 2018, com 193 países, o Brasil seria apenas o 135º colocado na classificação das câmaras de deputados com as maiores representações femininas, de 15%. Há quatro anos, o País era apenas o 156º colocado, com 10,7%. 

A taxa registrada como resultado da eleição do fim de semana permite que o Brasil supere países como Síria, Egito, Sierra Leoa, Congo, Índia e Burkina Fasso. Mas, ainda assim, o País está numa posição inferior à da Jordânia, Líbia, Rússia, Gabão, Arábia Saudita e Turquia. 

A taxa brasileira também continua sendo inferior à média mundial de representação de mulheres nas câmaras de deputados pelo mundo, avaliada em 23,9%. Nas Américas, a taxa é ainda maior, de 29,5%, superando até mesmo os europeus. 

A média brasileira, mesmo com as eleições de 2018, continua sendo inferior à taxa nos países árabes, de 18,6%. 

Entre os 193 países avaliados, quatro deles não têm mulheres em seus Parlamentos: Iêmen, Vanuatu, Papua Nova Guiné e Micronésia. Em Omã, existe apenas uma mulher, contra duas no Kuwait. 

Apenas 13 países no mundo têm uma representação feminina acima de 40% entre os deputados e apenas três acima de 50%: Ruanda, Cuba e Bolívia. Do grupo de 13 países na liderança do ranking, seis deles são da América Latina ou Caribe.

Eleição teve 2,6 mil candidatas a deputado federal

Para a votação deste ano, a Justiça Eleitoral registrou 2,6 mil candidatas a deputada federal. Em 2014, foram 2,3 mil candidatas. Mas o número sofreu uma variação importante entre os partidos.

No Partido da Mulher Brasileira, 40% eram candidatas mulheres, enquanto o PSTU apareceu com 39,5% e o PCdoB, 37,3%. Mas cinco partidos não cumpriram a cota estabelecida de 30%, entre eles o DEM (29,1%), Rede (28,6%), PCB (27,8%), PMN (27,2%) e PP (25,3%).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.