Câmara cassa segundo prefeito em Campinas

Por 29 votos a 4, vereadores tiram do poder o petista Demétrio Vilagra, quatro meses depois de ter afastado Hélio Santos (PDT), por improbidade

ROSE MARY DE SOUZA, ESPECIAL PARA O ESTADO, CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2011 | 03h03

Numa sessão agitada, que se estendeu até cerca de 23 horas, os vereadores de Campinas cassaram ontem o mandato do prefeito Demétrio Vilagra (PT) por 29 a 4 votos, por quebra de decoro. É o segundo prefeito a ser tirado do cargo esse ano por uma Comissão Processante (CP). No dia 20 de agosto tinha sido a vez do prefeito Hélio de Oliveira Santos, do PDT, então acusado de improbidade administrativa.

Os quatro votos a favor de Vilagra partiram dos três vereadores da bancada do PT e de um do PC do B - os mesmos que, quando ele assumiu o posto do cassado, foram contrários à formação da nova comissão de investigação. Com a cassação, o cargo será ocupado interinamente pelo presidente da Câmara, Pedro Serafim, que deverá convocar novas eleições em 2012.

O relatório final da CP, que tinha oito volumes e um total de 1.440 páginas, começou a ser lido às 9h53 de terça-feira e terminou - ao final de 33 horas de leitura ininterrupta - no começo da noite de ontem. Seguiram-se os debates: cada um dos 33 vereadores teria direito a 15 minutos de discurso e a defesa do prefeito, no final, mais duas horas.

O eixo principal da peça preparada pela comissão sustentava que Demétrio Vilagra, quando vice-prefeito, assumiu a prefeitura em sete oportunidades e sabia bem das irregularidades que vinham sendo cometidas pelo titular. De acordo com o ex-presidente da Sanasa (Serviço de Abastecimento e Saneamento de Água ), Luiz Castrillon de Aquino, delator do esquema que levou a cassação do então prefeito Hélio de Oliveira Santos(PDT) todos as acusações constantes no relatório eram procedentes.

Demétrio foi denunciado pelo MP como integrante de uma quadrilha que tinha como chefe a ex-primeira-dama, Rosely Nassim Jorge Santos, em 9 contratos da Sanasa durante a substituição do prefeito titular. Demétrio ficou preso por 22 horas por conta das denúncias, após seu retorno das férias, passadas na Espanha.

Vilagra se defendeu por cerca de 40 minutos. Fez um balanço de sua vida pessoal, lembrou que veio de uma família humilde e que só concluiu os estudos depois de adulto. Recordou sua vida na militância politica em sindicatos - ele foi um dos fundadores do PT e da CUT. Seu advogado, Hélio Silveira, considera a cassação injusta e já avisou que vai recorrer. Para ele, Vilagra "não está em nenhum momento arrolado no processo do MP por acometer em uma ação".

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