Câmara aprova terreno para Instituto Lula

Vereadores votam em primeiro turno proposta de Kassab que cede área em SP, avaliada em R$ 20 milhões, para memorial; sessão foi tumultuada

DIEGO ZANCHETTA , ISADORA PERON, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2012 | 03h01

Em sessão tumultuada, com troca de farpas entre vereadores e manifestantes, a Câmara Municipal aprovou ontem em primeira votação o projeto que autoriza a concessão de um terreno da Prefeitura para o Instituto Lula.

Por 37 votos favoráveis, 10 contrários e 1 abstenção, os vereadores aprovaram o projeto de autoria do prefeito Gilberto Kassab (PSD), apresentado em fevereiro. Durante quase três horas, cerca de dez manifestantes presentes nas galerias do Legislativo pressionaram os parlamentares a rejeitarem a concessão da área. Eles também reivindicavam a realização de uma audiência pública para discutir a questão.

A votação definitiva deve acontecer em 15 dias, mas antes deve ser realizada a audiência. O terreno de 4.300 metros quadrados - localizado no centro de São Paulo e avaliado em R$ 20 milhões - vai abrigar o Memorial da Democracia, espécie de museu em homenagem ao ex-presidente Lula.

A proposta de Kassab fazia parte do plano de aproximação com o PT, o que levou o PSDB a pressionar o ex-governador José Serra a sair candidato a prefeito. Com a mudança no cenário político, a votação do projeto se tornou constrangedora para a base kassabista. Ontem, porém, após duas semanas de obstrução ao projeto, as lideranças governistas, orientadas pelo prefeito, atropelaram a oposição para homenagear o ex-presidente.

Agressão. O clima esquentou no Legislativo assim que começou a sessão extraordinária para a votação do projeto. Para tentar acalmar os manifestantes que tumultuavam a sessão, o presidente da Casa, José Police Neto (PSD), e o líder de governo, Roberto Tripoli (PV), subiram até as galerias do plenário.

A tentativa, porém, foi em vão e terminou em confusão. Dois manifestantes acusaram Tripoli de agressão. Maykon Percidio alega ter levado um "murro na boca" e Marcelo Dias diz ter sido empurrado. O vereador nega. "Tá sangrando?", perguntou Tripoli aos jornalistas ao ser questionado se ele havia acertado Percidio. "Houve agressão (verbal) da minha parte e da dele. Nós trocamos palavras aos gritos, mas depois pedimos desculpas."

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