Cafezinho, agora, só se for expresso

Câmara gasta R$ 111 mil em aluguel de máquinas

O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2013 | 03h13

Deputados federais gastaram R$ 111,6 mil de janeiro até agora com o aluguel de máquinas de café expresso, capuccino e chocolate quente para consumir em seus gabinetes. A nova mania é paga com dinheiro público da verba indenizatória, destinada a custear despesas com o mandato. A Câmara oferece café para os parlamentares, servidores e visitantes que passam por gabinetes, comissões, salas de lideranças e áreas comuns do prédio, mas a bebida coada já não agrada mais ao paladar de dezenas de deputados.

Levantamento feito pelo Estado revela que 69 parlamentares alugam as máquinas de café de duas empresas - Amoretto Cafés Expresso LTDA e Dilleto Comercial de Alimentos Grano. A assessoria de imprensa da Câmara informou que as normas da Casa permitem a inclusão do equipamento no custeio da cota de cada parlamentar.

Para servir aos deputados o agora desprezado café em pó, a Câmara gasta R$ 630 mil com contratos de um ano - considerando o pó, açúcar, coador... O que significa dizer que, em sete meses, os parlamentares gastaram com o aluguel de máquinas 30% de tudo o que a Câmara gasta para servir café a todos os parlamentares, funcionários e visitantes.

Paulo Maluf (PP-SP) é um dos deputados que contam com a comodidade no gabinete. O deputado, que afirmou não saber que o equipamento instalado em sua sala é bancado com dinheiro público, liberou R$ 3.670 de verba indenizatória por sete meses de aluguel da máquina. Ele disse que está acostumado com café expresso, que, ao ser produzido a partir de grãos inteiros e água em altíssima temperatura, fica com um gosto "absolutamente diferente" daquele servido na Câmara, feito com café em pó coado.

Na opinião de Maluf, se uma pessoa beber três doses diárias do café coado oferecido pela Casa, certamente irá desenvolver uma úlcera. "Aquilo é água de café. Você não tomaria isso todo dia e nem daria pra sua família", concluiu.

Com o dinheiro gasto em sete meses de aluguel das máquinas pelos 69 parlamentares, daria para comprar 32 mil cafés expressos em uma cafeteria localizada em área nobre da capital federal, considerando o preço da bebida a R$ 3,50. Se a opção fosse mais modesta, o cafezinho da rodoviária no valor de R$ 0,50, o custo das máquinas seria equivalente a cerca de 223 mil unidades.

Parlamentares usam a qualidade do café da Câmara como argumento para justificar o aluguel da máquina, que também prepara capuccino, chocolate quente e outras variações da bebida. "O café da Câmara chega ruim, frio. Você busca a garrafa de café e ela fica lá parada. Quando a pessoa chega, está velho, ruim, tem que jogar fora. Com a máquina, tudo é feito na hora, tem vários tipos", afirmou o deputado Mauro Lopes (PMDB-MG). "Se a Câmara disser que não pode, corto o contrato na hora. Isso pra mim é tão pequeno que eu compro uma máquina pra mim", complementou.

De acordo com o deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG), o problema não está na qualidade do café, mas na disponibilidade do serviço da Câmara. "Não tem fornecimento regular. Recebo prefeitos o dia inteiro em meu gabinete, eu vivo de atender essas pessoas", reclama. O parlamentar disse que muitas vezes precisa trabalhar até meia noite e não pode contar com o café da Casa, que deixa de ser servido antes das 18h. / B.C.

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