Andre Duzek/Estadão
Andre Duzek/Estadão

'Café com leite' visa a ampla vitória no Sudeste

Para PSDB, chapa com mineiro Aécio e paulista Aloysio é essencial para compensar Nordeste

DÉBORA BERGAMASCO E RICARDO BRITO, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2014 | 02h03

BRASÍLIA - A decisão do candidato do PSDB à Presidência, senador mineiro Aécio Neves, de escolher como vice na sua chapa o tucano paulista e colega de Senado Aloysio Nunes Ferreira tem por objetivo construir uma expressiva votação nos dois principais colégios eleitorais, responsáveis por um em cada três votos no País. Também visa compensar a desvantagem que a chapa deve ter no Nordeste, reduto eleitoral do lulismo.

A avaliação entre tucanos é que a estratégia de dar prioridade à votação em São Paulo e Minas - que concentram 47,2 milhões de eleitores - garante ao candidato do PSDB vaga no segundo turno. Mas para vencer a eleição será preciso melhorar o desempenho no Nordeste.

A articulação montada por Aécio foi batizada de "Café com Leite", numa referência à política praticada durante a Primeira República (1889/1930), quando os dois Estados predominavam e se revezavam na gestão do País. Pela primeira vez sem um candidato tucano oriundo de São Paulo na cabeça de chapa, a estratégia do partido é unir o PSDB e evitar o "corpo mole" feito em eleições anteriores por alguns de seus integrantes - inclusive o próprio Aécio.

Levantamento feito pelo Estado revela que o desafio é grande. Desde 2002, o PSDB jamais teve uma vantagem sólida na corrida presidencial somando os dois Estados. No segundo turno de 2010, o então candidato do partido, José Serra, conseguiu apenas 48 mil votos de vantagem sobre a rival petista Dilma Rousseff em São Paulo e Minas. No primeiro turno, Dilma havia ficado 966 mil votos à frente do tucano.

Na ocasião, preterido na disputa pelo Planalto, Aécio foi acusado por integrantes da campanha de Serra de falta de empenho na campanha nacional e de ter cuidado apenas da eleição de seu aliado Antonio Anastasia (PSDB) para o governo estadual. A estratégia foi batizada de "Dilmasia" - voto em Dilma para presidente e Anastasia para o governo.

Nas eleições de 2002 e 2006, Aécio Neves foi eleito no primeiro turno para o governo mineiro e, nas duas ocasiões, o então candidato do PT, Luiz Inácio da Silva, venceu a corrida eleitoral naquele Estado. O voto casado em Lula e Aécio no Estado ficou conhecido como "Lulécio" nas eleições de 2002 e 2006. Somando São Paulo e Minas, Lula teve no primeiro turno de 2002 a maior vantagem eleitoral - 6,3 milhões de votos a mais do que Serra. No primeiro turno de 2006, foi a vez de os dois Estados somados darem a Alckmin a maior vantagem - 2,7 milhões de votos.

No entendimento dos coordenadores da campanha, deverão ser exploradas profundamente no Estado as candidaturas tucanas - que reúnem Aécio para presidente, Aloysio como seu vice, Geraldo Alckmin para a reeleição ao governo e José Serra para o Senado.

A avaliação interna é que com a chapa tucana AAAS (as iniciais dos quatro candidatos), o presidenciável "larga na frente" no Estado em que ele poderia encontrar resistências dentro das próprias hostes tucanas, devido a histórica rivalidade entre mineiros e paulistas na vida interna do partido.

Em São Paulo, os tucanos estão decididos a polarizar a campanha com o candidato do PMDB, Paulo Skaf, porque avaliam que, em breve, ele terá o apoio do PT estadual, mas também em nível nacional. Apostam que o nome do candidato Alexandre Padilha (PT) não vai decolar e ele acabará desprezado até por sua legenda.

Nordeste. Como na visão tucana a estratégia em São Paulo está resolvida, Aécio volta-se agora para o Nordeste, onde sua candidatura é mais frágil. No começo de agosto, assim que se licenciar do Senado, ele pretende lançar um projeto de "choque de infraestrutura" regional.

Anunciará projetos para deslanchar obras estruturantes essenciais, como a Transposição do Rio São Francisco e a Rodovia Transnordestina. Com tempo de TV três vezes menor que o de sua adversária Dilma Rousseff, Aécio pretende difundir na região a autoria do projeto de lei que propõe tornar o Bolsa Família definitivo, como uma obrigação de qualquer que seja o governo.

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