Cade vai liberar documentos sobre caso Siemens até novembro

Nova decisão judicial reforça determinação para órgão disponibilizar materiais sobre suspeitas de cartel ao governo de SP

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2013 | 02h01

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) acertou o envio de toda a documentação disponível sobre o caso Siemens ao governo paulista até novembro deste ano.

Uma nova decisão judicial, da semana passada, reforçou a determinação para que o órgão federal disponibilize os materiais apreendidos pela Polícia Federal nas empresas suspeitas de integrar um cartel que teria atuado entre 1998 a 2008 em São Paulo e no Distrito Federal.

Em maio deste ano, a alemã Siemens procurou o Cade para apontar irregularidades em licitações. O governador Geraldo Alckmin (PSDB), em cuja gestão o esquema teria atuado, determinou que a Corregedoria do Estado entrasse no caso.

Em agosto, a Justiça já havia liberado os papéis da investigação. Segundo o Cade, o material não foi enviado na íntegra porque estava em processo de triagem. A expectativa do governo paulista é ter acesso ao material no fim de novembro, depois que o órgão federal terminar de compilar e analisar as informações. Essa decisão motivou uma ligação do presidente do Cade , Vinícius Marques de Carvalho, para o corregedor-geral do Estado, Gustavo Ungaro. Os dois se reuniram em Brasília na semana passada, quando selaram "armistício" e combinaram a logística da transferência de dados.

No auge do caso Siemens, o governo paulista acusou o Cade de fazer um vazamento seletivo para a imprensa para prejudicar o PSDB. Ontem, o Estado revelou que Carvalho omitiu em seu currículo ter trabalhado para o deputado estadual Simão Pedro (PT), um dos principais denunciantes do cartel dos trens. Tucanos dizem que o fato reforça a ação política do Cade.

O corregedor-geral do Estado minimizou as ligações políticas do colega que comanda o órgão federal. "O problema, segundo li no jornal, estaria na omissão dessa informação. A formação partidária e a militância política de quem está no poder executivo ou legislativo não é um impedimento. O que não pode é confundir os papéis", afirmou Ungaro, ele mesmo filiado ao PSDB e um dos fundadores da Juventude Tucana.

Além da apuração na corregedoria, Alckmin criou um grupo externo para acompanhar o caso, formado por entidades da sociedade civil. Após reclamações de integrantes desse grupo sobre a falta de transparência de suas ações, o governo publicou anteontem as atas das reuniões.

Além do Cade, do governo paulista e da Polícia Federal, o Ministério Público também apura em 45 inquéritos civis e um criminal a ação do cartel. Há suspeita de pagamento de propina para agentes públicos. / COLABOROU RICARDO CHAPOLA

Mais conteúdo sobre:
CadeCarteltrensmetrô

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.