Cade diz que não enviou documento à Polícia Federal

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) afirmou ontem, via nota oficial divulgada em seu site, que "não recebeu e não encaminhou documento à Polícia Federal com teor das denúncias relatadas" pelo engenheiro Everton Rheinheimer, ex-executivo da Siemens, que fez acordo de leniência para relatar detalhes do cartel no sistema metroferroviário de governos do PSDB em São Paulo e no Distrito Federal, entre 1998 e 2008.

O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2013 | 02h13

A informação do Cade, porém, é conflitante com o conteúdo do memorando 98/2013, subscrito pelo delegado Braulio Cezar da Silva Galloni, coordenador-geral de Polícia Fazendária da Polícia Federal em Brasília que, em 11 de junho, encaminhou para a Polícia Federal em São Paulo "denúncia recebida via Cade a respeito de fatos criminosos ocorridas nesse Estado de São Paulo, relacionados à corrupção em obras de construção metroferroviária".

O ofício da Polícia Federal que cita o Cade como fonte do documento faz parte dos autos do inquérito da corporação que investiga o cartel de trens. Rheinheimer fez delação premiada no Ministério Público de São Paulo e na própria PF - em troca de eventuais benefícios judiciais e abrandamento de pena ele decidiu contar o que alega saber sobre o conluio das multinacionais e suposto esquema de pagamento de propinas a agentes públicos.

O Cade é presidido por Vinícius Carvalho. Ele é filiado ao PT e foi chefe de gabinete do deputado estadual licenciado Simão Pedro (PT), autor de várias representações que apontavam a atuação do cartel no governo paulista.

Carvalho já foi advertido pelo Conselho de Ética da Presidência por ter omitido de seu currículo suas ligações políticas com o parlamentar petista. / F.M.

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