Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Cada um que fala, fala mais bobagens que o outro, diz Lula sobre equipe de Marina

Ex-presidente criticou ex-ministra que, no domingo, discordou de afirmações de um de seus coordenadores de campanha

Idiana Tomazelli e Tiago Rogero, O Estado de S. Paulo

15 de setembro de 2014 | 15h57





Atualizada às 22h02

Rio - Em um tumultuado ato político em defesa da candidatura de Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou nesta segunda-feira, 15, em frente à sede da Petrobrás, no centro do Rio, e criticou as discordâncias públicas na área econômica da campanha de Marina Silva (PSB). 

“Se fosse a candidata de oposição a Dilma, proibiria seus economistas de falar, porque cada um que fala, fala mais bobagens do que o outro”, disse Lula, em referência às afirmações de Marina, neste domingo, 14, que discordou publicamente das declarações de um de seus colaboradores mais próximos, o economista Alexandre Rands. 

A ex-ministra se comprometeu com a manutenção da meta de inflação em 4,5% ao ano após Rands, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, defender a revisão da meta. 

Apesar de focar as críticas em Marina, Lula em nenhum momento citou o nome da concorrente de Dilma. “Ela (Marina) vem mostrando o que pode acontecer num programa de governo feito a quinhentas mãos, menos a dela”, afirmou o petista. “Se tem um cargo que você não pode terceirizar, é o de presidente da República: assume ou não. Esse negócio de pedir para cada um falar um pedacinho das coisas que vão acontecer não dá certo. Afinal, este País é grande, mas não é uma colcha de retalhos que pode ser subdividida em centenas de interesses.” 

Corrupção. Vestindo um macacão laranja da Petrobrás do alto do palco montado em frente à sede da estatal, Lula afirmou que, se ficar comprovado crime de corrupção na petrolífera, os responsáveis devem ser presos. Segundo o ex-presidente, os trabalhadores da estatal não podem ser confundidos com alguém que “porventura possa ter cometido um erro qualquer”. 

Lula também criticou o PSDB, mas sem se referir diretamente ao candidato tucano Aécio Neves, e sim aos oito anos de Fernando Henrique Cardoso - que também não foi citado nominalmente - como presidente. 

O ato foi convocado pela Federação Única dos Petroleiros e Central Única dos Trabalhadores (CUT) “em defesa do pré-sal, da Petrobrás e do Brasil”. Apesar de Lula afirmar que o evento “não era partidário”, bandeiras e discursos, dele e dos demais, diziam o contrário: todos em clara defesa da candidatura de Dilma. “Isso aqui é um ato da campanha da Dilma”, afirmou o candidato do PT ao governo do Rio, Lindbergh Farias (PT). A equipe de audiovisual que filmou o ato era a mesma que, na sexta-feira, documentou o desfile em carro aberto de Dilma e Lindbergh em São Gonçalo, na Baixada Fluminense. 

Segundo os organizadores, 6 mil pessoas participaram do ato. A única estimativa da Polícia Militar, feita ainda no aquecimento - mais de uma hora antes da chegada de Lula -, calculou 600 pessoas. Militantes com camisas do Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo confirmaram ao Estado terem recebido transporte e alimentação para comparecer ao ato no Rio.

No trajeto entre a Cinelândia e a Petrobrás, de 400 metros, houve confusão e empurra-empurra. Os seguranças em volta de Lula agiram de forma violenta para evitar a aproximação de pessoas. Um fotógrafo foi agredido com uma cotovelada que lhe cortou o supercílio. Ao fim do ato, o ex-presidente foi em direção ao prédio do BNDES, e houve mais confusão. 

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