Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

‘Cada bala do revólver da maldade do Bolsonaro atinge a população’, diz Alckmin em Belo Horizonte

Presidenciável tucano criticou discurso em que general Mourão diz que 13º é 'jabuticaba'

Jonathas Cotrim e Leonardo Augusto, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2018 | 18h05

BELO HORIZONTE - O candidato do PSDB à Presidência nas eleições 2018, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira, 27, ser “inadmíssivel” a fala do general Hamilton Mourão, do PRTB, postulante a vice de Jair Bolsonaro (PSL) sobre o 13º salário. “Cada bala do revólver da maldade do Bolsonaro atinge a população. Uma hora é a classe média, aumentando imposto e diminuindo para ricos. Agora quer tirar direitos dos trabalhadores e trabalhadoras”, disse o presidenciável do PSDB, em agenda em Belo Horizonte.

Em palestra na Câmara de Dirigentes Logistas de Uruguaiana, Mourão disse nesta quinta-feira, 27, que o 13º salário é uma “jabuticaba”, ou seja, algo que só existe no Brasil.Segundo ele, o pagamento do décimo terceiro seria uma “mochila nas costas dos empresários”.

“Como a gente arrecada 12 (meses) e pagamos 13? O Brasil é o único lugar onde a pessoa entra em férias e ganha mais", disse. Por conta disso, Bolsonaro determinou que Mourão cancelasse todas os compromissos públicos até 7 de outubro, primeiro turno das eleições.

Apesar da tentativa da campanha do PSL de isolar a fala do vice, Alckmin declarou que o pensamento de Mourão está de acordo com as propostas de governo do cabeça da chapa.  “(A fala) Vem ao encontro do programa do Bolsonaro, que defendeu a carteira verde-amarela, na qual o acordo com o empregador superaria a CLT, então ele não teria direitos” afirmou Alckmin.

'Futrica'

Durante a campanha, Alckmin disse ser favorável à reforma trabalhista aprovada pelo governo de Michel Temer, na qual muitos dos direitos previstos pela CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) tornaram-se passíveis de serem negociados entre empresários e trabalhadores.

Alckmin chamou de "futrica" as notícias de que o candidato a vice-governador de Minas Gerais, Marcos Montes, do PSD, declarou apoio a Bolsonaro. Em vídeo, Mendes, que é candidato a vice-governador de Minas na chapa de Antonio Anastasia, disse que seria a hora de “dar as mãos” para Bolsonaro.

“Infelizmente, no mundo inteiro, cobertura de imprensa é futrica da corte. Isso ocupa um espaço enorme. Não tem o menor interesse da população”, disse. O vídeo em que Marcos Montes fala sobre o apoio a Bolsonaro como forma de impedir o retorno do PT ao governo circula nas redes sociais.

Já o candidato ao governo de Minas Gerais, Antonio Anastasia, também minimizou a fala de Marcos Montes. “Ele se referia a uma hipótese que não vai acontecer. Nós vamos ao segundo turno com Alckmin”, disse.

Alckmin ouve grito de 'Lula Livre'; tucanos rebatem 'vai pra Cuba'

Alckmin fez caminhada nesta tarde na Regional Barreiro, em Belo Horizonte, um dos maiores colégios eleitorais da cidade. Ao entrar em uma padaria, onde tomou café, ouviu gritos de "Lula Livre". Correligionários do tucano responderam com "vai pra Cuba".

O candidato buscou evitar comentários sobre o vídeo, divulgado na segunda-feira, em que o deputado federal Marcos Montes, vice na chapa do tucano Antonio Anastasia na disputa ao Palácio Tiradentes, fala sobre apoio a Bolsonaro. Anastasia também participou da caminhada no Barreiro.

"Já foi esclarecido. Estamos crescendo. Temos um dos menores índices de rejeição e temos alertado: chegando ao segundo turno, somos o caminho para derrotar o PT. Não podemos deixar o PT voltar. Estão aí os 13 milhões de desempregados. População sofrendo. Também não acredito no caminho Bolsonaro. Hoje o general Mourão ainda falou que 13º é jabuticaba brasileira. Sou contra os dois. Nem o PT, nem Bolsonaro. Vamos continuar com coerência até o fim", disse.

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