Cachoeira recebe visitas e faz churrasco em 1º dia de liberdade

Após 266 dias na prisão, contraventor chegou com a mulher, Andressa, à sua casa em condomínio fechado de Goiânia

Fernando Gallo, de O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2012 | 02h04

GOIÂNIA - O que seria um dia de folga terminou bem movimentado. Carlos Cachoeira, o contraventor, encerrou ontem seu primeiro dia de liberdade com um churrasco em sua casa no condomínio Alphaville Cruzeiro do Sul, em Goiânia.

Cachoeira chegou ao local por volta das 2h30 de ontem para dormir a primeira noite fora da cadeia após 266 dias preso. Conversou com a família e foi descansar. Pela manhã, já era grande a movimentação em frente à luxuosa casa de esquina na Rua Lúpus. Ao menos uma dezena de veículos, com chapas de Goiânia e de Anápolis, alguns com propagandas da eleição da OAB local, estacionaram em frente, num grande entra e sai. Um homem foi chamado para mexer na tubulação de gás. Diversas entregas foram enviadas, entre flores, presentes e outros pacotes, segundo vizinhos.

Da mulher, Andressa, ganhou uma cesta de café da manhã. Fez o desjejum acompanhado dela e dos três filhos menores, que moram com a mãe, Andréa Aprígio, em Anápolis (GO). "A cesta foi pedida pela mulher dele, a Andressa", confirmou o entregador. Além de pães e biscoitos, Cachoeira tinha à disposição morangos, chá, geleia, bolo de rolo e manteiga.

Além de Andressa e dos filhos, estavam na casa alguns dos 11 irmãos de "Carlinhos", como a família o chama, e de parentes da atual mulher, que mais tarde repetiu o mantra de que o contraventor estava "tranquilo" e "feliz".

Andressa, aliás, causou perplexidade anteontem no shopping onde tem uma loja de lingeries em Goiânia. Quando foi informada sobre a expedição do alvará de soltura, saiu pelo local aos gritos. "O meu marido foi solto! O meu marido foi solto!"

Se gerou a felicidade da mulher, da família e de amigos, a chegada de Cachoeira repercutiu mal entre os vizinhos. "É um absurdo! Como conviver com uma coisa dessas? Que tipos de pessoas vão entrar no condomínio?", indagou um morador, que não quis se identificar.

Durante o dia, o sobrinho Fernando Cunha Neto havia dito que "não havia clima" para fazer festa pela libertação do tio. "A mãe dele faleceu este ano, o pai está doente." Segundo o advogado Nabor Bulhões, o dia ontem era mesmo de "folga". "Não vamos tratar de nenhum processo, só amanhã (hoje)", disse ao Estado. Foi dia de folga, e de muito movimento. / COLABOROU RUBENS SANTOS, ESPECIAL PARA O ESTADO

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