O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2012 | 03h06

Poucos políticos compareceram ontem ao velório da mãe do contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cacheira, preso por suspeita de chefiar uma máfia de caça-níqueis. Quem esteve, porém, no velório de Maria José de Almeida Ramos, a dona Zezé, 79 anos, internada há dois meses por problemas no pulmão, criticou "amigos" influentes do contraventor. "Se o Carlinhos não tivesse sido preso, aqui estariam chorando governador, senadores, deputados federais, ministros e ex-ministro da Justiça do PMDB de Goiás", disse o vereador Maurão do INSS (PDT), de Anápolis. "Não era só o Demóstenes Torres, do Senado, que estaria aqui, não. Outros do Senado também estariam", disse. "Carlinhos era contraventor como um vendedor de CD pirata. Quem deveria estar preso são os políticos que foram chantagear o Carlinhos."

Em meio às coroas de flores que se espalhavam pelo salão, chamava atenção uma com o nome do deputado tucano Carlos Alberto Leréia, um dos citados na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, por ligação com Cachoeira. Outra coroa estava em nome da Secretaria de Indústria e Comércio de Goiás. O vereador Wesley Silva (PMDB), também de Anápolis, foi prestar solidariedade à família e sugeriu que o quadro de saúde de dona Zezé se agravou por causa da prisão do filho. "Foi um susto muito grande para ela."

Cachoeira soube da morte da mãe ontem de manhã. A família não pensou em recorrer à Justiça para garantir que ele pudesse acompanhar o funeral. Ele está em preso em Mossoró (RN). Nem o irmão de Cachoeira, Sebastião Jr., nem sua mulher, Andressa Alves de Mendonça, falaram com a imprensa. O governador Marconi Perillo (PSDB), citado como um dos envolvidos com Cachoeira, não mandou condolências.

Cachoeira e seus irmãos têm grande influência em Goiás, especialmente em Anápolis, onde a família, de origem mineira, está radicada há quase cinco décadas. / LEONÊNCIO NOSSA e RUBENS SANTOS, ESPECIAL PARA O ESTADO

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