Cachoeira é réu em nova ação da Monte Carlo e pode ser preso

É a segunda denúncia contra o contraventor na operação da PF; Justiça já determinou recolhimento de seu passaporte

FERNANDO GALLO, ENVIADO ESPECIAL / GOIÂNIA, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h11

A Justiça Federal recebeu anteontem a segunda denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, tornando-o réu em nova ação relativa à Operação Monte Carlo, que trata de um esquema criminoso de exploração de jogos em Goiás. O juiz que recebeu a denúncia, contudo, não analisou os pedidos de prisão preventiva de Cachoeira, o que fará após manifestação das defesas dos réus.

A Justiça, porém, já determinou o recolhimento do passaporte de Cachoeira e de outros cinco acusados, a proibição de viagens ao exterior e a proibição de viagens a cidades fora de onde vivem sem comunicação ao Judiciário - se quiser viajar, por exemplo, para Anápolis, cidade onde vive seu pai, Cachoeira tem de pedir autorização judicial.

A nova denúncia foi oferecida pelo MPF após informações colhidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Distrito Federal. Segundo o procurador Daniel de Resende Salgado, o grupo de Cachoeira continuava a agir mesmo após a prisão do contraventor. "O grupo criminoso continuava atuando da mesma forma que atuava antes da Operação Monte Carlo. Entendemos que houve uma reiteração da atividade criminosa." Após a operação, uma nova busca e apreensão encontrou máquinas caça-níqueis com componentes contrabandeados do exterior em pontos investigados pela Monte Carlo.

Conforme o procurador, alguns áudios de escutas policiais - realizadas dias após a deflagração da operação que prendeu Cachoeira em 29 de fevereiro - revelaram que membros da organização diziam poder abrir novamente as casas de jogos porque a polícia não faria um trabalho de enfrentamento constante.

De acordo com Salgado, após a prisão de Cachoeira uma parte do grupo parou de atuar em Goiânia e passou a trabalhar o jogo em Brasília. "Houve uma migração de parte da organização criminosa, e de forma mais intensa para a capital federal." Ele afirmou ainda que a Monte Carlo promoveu "uma desarticulação do grupo, mas ela não foi total".

O procurador afirmou que a soltura do contraventor "é uma clara violação à ordem pública". Questionado se o novo pedido de prisão tinha relação com a soltura de Cachoeira ou já estava programado, disse que "o Ministério Público também precisa trabalhar estrategicamente". Salgado declarou, no entanto, que o Ministério Público Federal aguardava laudos periciais para ofertar a nova denúncia.

Para o procurador, Cachoeira era o "grande articulador e mentor" do grupo. Segundo ele, a organização supostamente criminosa funcionava como uma empresa, e cada uma de suas partes "tinha domínio funcional da atividade, que só existia a partir da autorização do líder do grupo".

Novo julgamento. Na próxima terça-feira o pleno da 3.ª Turma do Tribunal Regional da 1.ª Região deve julgar a liminar que permitiu a soltura de Cachoeira referente à Operação Monte Carlo - nesta semana ele foi solto após decisão judicial referente à Operação Saint-Michel.

O desembargador Tourinho Neto mandou soltar Cachoeira por considerar ter havido "excesso de prazo", e não determinou nenhuma medida cautelar. Se o pleno decidir reverter a decisão, o contraventor terá de voltar para a prisão.

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