Cachoeira e diretor da Delta têm bens bloqueados

Decisão foi tomada pela Justiça do Distrito Federal a partir de indícios de que organização agiu para controlar contrato de bilhetagem eletrônica

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2012 | 03h11

A Justiça do Distrito Federal decretou o bloqueio dos bens do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, do ex-diretor da construtora Delta no Centro-Oeste Claudio Abreu e de outras seis pessoas denunciadas por formação de quadrilha, tráfico de influência, corrupção e fraudes em processo de licitação para contratar o serviço de bilhetagem eletrônica dos ônibus no DF.

Os sigilos bancário, fiscal e telefônico de Cachoeira, preso desde 29 de fevereiro, já haviam sido quebrados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a relação dele com políticos e contratos públicos.

A decisão ocorreu depois de pedido do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. Conforme a peça de acusação, Cachoeira e os dois ex-diretores comandaram operação para direcionar o contrato, que renderia R$ 60 milhões por mês, à empreiteira. Coube a Cláudio Abreu pagar Valdir dos Reis, lobista encarregado de azeitar o negócio na Secretaria de Transportes. A própria quadrilha teria elaborado um projeto básico e o edital para a licitação.

Ex-assessor da Secretaria de Planejamento do Distrito Federal, Reis teria sido cooptado pela quadrilha para cuidar dos interesses de Cachoeira no governo Agnelo Queiroz (PT).

Mesmo exonerado do cargo em 31 de dezembro de 2010, ele tinha crachá em 2011 e, segundo a denúncia, circulava livremente no Palácio do Buriti, que abriga a Secretaria de Transportes.

Numa das escutas, Cachoeira ordena que Geovani Pereira da Silva, apontado como contador da organização, pague R$ 50 mil a Reis. O diálogo indica que o dinheiro provinha da conta de Abreu. O valor foi depositado na conta do ex-servidor pela Adécio e Rafael Construções e Incorporações, uma das empresas do esquema, que, segundo o MP, existiria apenas de fachada para lavagem e pagamento de recursos. Onze dias depois, Reis conseguiu reunião do secretário de Transportes do DF, José Walter Vasquez, com "membros da organização criminosa".

Embora não tivesse nenhuma experiência na área, a Delta tinha interesse em comprar software para operar a bilhetagem.

A partir do encontro, diz a denúncia, a quadrilha de Cachoeira começou a elaborar o projeto básico e o edital de licitação, direcionados à Delta.

Abreu foi preso durante a Operação Saint Michel, na semana passada, por suposto envolvimento nas fraudes.

A denúncia cita suposta negociação, revelada pelo Estado, entre a quadrilha e o servidor do DFTrans (empresa que gerencia o transporte no DF) Milton Martins Júnior, que está afastado do cargo.

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