Cachoeira é condenado, mas pode deixar prisão

Juíza fixa pena em regime semiaberto por fraude e determina libertação após 9 meses

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2012 | 02h08

A Justiça do Distrito Federal condenou ontem o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, a cinco anos de prisão em regime semiaberto pelos crimes de formação de quadrilha, exploração de jogos e tráfico de influência nos autos da operação Saint Michel, da Polícia Civil do DF. A juíza Ana Cláudia Barreto, da 5.ª Vara Criminal de Brasília, também mandou soltar Cachoeira, que foi preso em fevereiro.

Sem vagas no semiaberto, benefício concedido aos condenados a menos de oito anos, Cachoeira deve ir da Penitenciária da Papuda direto para prisão domiciliar em Goiânia.

Pai de Cachoeira, Sebastião de Almeida Ramos comemorou a decisão: "Graças a Deus. Essa prisão estava acabando com todos nós. Ele não merecia isso. Como não estou bem de saúde, vou amanhã (hoje) cedo para Goiânia encontrá-lo".

Segundo denúncia do Ministério Público do DF, apresentada em maio à Justiça, Cachoeira e mais sete pessoas, entre eles os ex-diretores da Delta Construções Heraldo Puccini e Cláudio Abreu, se associaram para fraudar licitação para o serviço de bilhetagem eletrônica no DF. O objetivo seria conseguir a contratação da empreiteira para operar o serviço, que poderia render R$ 60 milhões por mês.

O ex-servidor Valdir dos Reis, com trânsito no Palácio do Buriti, foi contratado para corromper servidores do DFtrans e da Secretaria de Transportes. De acordo com Ministério Público, Cachoeira era o cabeça do esquema. Por ordem dele, Reis teria sido contratado para praticar tráfico de influência e corromper servidores no governo do DF.

Cachoeira foi preso em 29 de fevereiro pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo, que desarticulou a organização que explorava máquinas de caça-níquel. As investigações acabaram chegando ao então senador Demóstenes Torres (ex-DEM), que foi pego em escutas telefônicas em conversas sobre dinheiro supostamente fruto de propina.

Vários pedidos de habeas corpus foram feitos pelos advogados de Cachoeira, mas sem sucesso. Em outubro, o TRF chegou a conceder um habeas corpus para Cachoeira, mas ele permaneceu preso por conta da decisão do Tribunal de Justiça do DF com relação à operação Saint Michel.

O envolvimento de personagens públicos levaram o Congresso a criar uma CPI. Quando convocado a depor, em maio, permaneceu calado todo o tempo por orientação dos advogados. Em julho, a noiva do contraventor, Andressa Mendonça, foi detida acusada de tentar chantagear o juiz federal responsável pelo julgamento do processo que envolve Cachoeira na Justiça de Goiás. / ALANA RIZZO, FABIO FABRINI e VANNILDO MENDES

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