Cachoeira é condenado a quase 40 anos de prisão e levado de volta para a cadeia

A Justiça Federal em Goiás condenou a 39 anos e 8 meses de prisão o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, por cinco crimes, incluindo peculato, formação de quadrilha e corrupção ativa. Ele voltou ontem à cadeia 16 dias após ter sido solto. A decisão do juiz Alderico Rocha Santos, da 5.ª Vara Federal em Goiânia, refere-se à denúncia de que Cachoeira comanda uma organização criminosa de exploração de jogos ilegais, em processo da Operação Monte Carlo.

ALANA RIZZO, FÁBIO FABRINI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2012 | 02h03

Na sentença de 500 páginas, o juiz estipulou prisão preventiva de dois anos e, após esse prazo, fiança de R$ 10 milhões para Cachoeira deixar a cadeia. Fora isso, o contraventor foi multado em cerca de R$ 4 milhões.

"O acusado já permaneceu preso por quase nove meses e a prisão por mais dois anos é o suficiente a afastar o sentimento de impunidade, possibilitar a conclusão das investigações sobre os crimes de lavagem de dinheiro, o rastreamento do destino dos valores que transitaram pelas contas das empresas fantasma e a demissão, se o caso, do grupo de policiais e outros servidores públicos que lhe deram suporte na prática dos crimes", diz a sentença. Santos é o terceiro juiz a atuar no caso e teria sido alvo de uma tentativa de chantagem de Andressa Mendonça, noiva de Cachoeira.

Além do contraventor, mais sete réus foram condenados (leia ao lado). Cachoeira foi preso em casa por volta das 14 horas e levado para a Superintendência da Polícia Federal em Goiânia, onde deve passar o fim de semana.

A ação da Monte Carlo foi desmembrada e 73 réus respondem a outro processo. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Cachoeira era "o grande idealizador, controlador, apoiador, mentor e financiador da associação criminosa". A quadrilha explorava pontos de máquinas caça-níqueis e bingos em Goiânia e no Entorno de Brasília. O negócio se mantinha com apoio de policiais militares, civis e federais.

Deflagrada em 29 de fevereiro, a Monte Carlo trouxe à tona detalhes da relação de Cachoeira com políticos, que levaram à cassação do ex-senador Demóstenes Torres (GO). Interceptações telefônicas revelaram a infiltração de integrantes da quadrilha de Cachoeira nos governo de Goiás e do Distrito Federal e o envolvimento de parlamentares no esquema.

"O acusado se relacionava socialmente sempre na busca de domínio de poder político e econômico ou seja, por interesse espúrio, agindo na sombra de autoridades, quer seja pela compra de amizade (ajuda financeira) ou através de vídeos/filmagens constrangedoras(chantagens)," afirmou o juiz federal.

CPI. O caso levou à abertura da CPI do Cachoeira no Congresso. Os parlamentares, porém, pouco avançaram na apuração das relações do contraventor e seus aliados com políticos. Empresas suspeitas de movimentar dinheiro do esquema - parte delas ligada à Delta Construções, principal empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - não tiveram sigilos quebrados e a maioria dos envolvidos ficaram em silêncio diante dos parlamentares.

O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), pediu o indiciamento de 34 pessoas, incluindo Cachoeira e o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), mas poupou o do Distrito Federal, Agnelo Queiroz(PT). O relatório final ainda não foi votado.

Cachoeira ficou 266 dias preso, com passagens no Presídio Federal de Mossoró (RN) e na Penitenciária da Papuda (DF). No dia 21, Cachoeira foi condenado pela Justiça do DF a 5 anos de prisão em regime semiaberto por formação de quadrilha, exploração de jogos e tráfico de influência nos autos da Operação Saint Michel, da Polícia Civil do DF, desdobramento da Monte Carlo.

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