Cabral oferece almoço para 'selar paz' com Michel Temer

Governador do Rio marca encontro com vice de Dilma para manifestar apoio à reedição da chapa na eleição presidencial e encerrar mal-estar por rumores de que tentaria a vaga

Luciana Nunes Lela, de O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2012 | 07h00

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), será o anfitrião nesta terça-feira, 23, de um almoço oferecido ao vice-presidente Michel Temer (PMDB) e espera encerrar o mal-estar causado pelo prefeito reeleito Eduardo Paes (PMDB), que lançou o padrinho político candidato a vice da presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2014.

O vice-presidente fará campanha, ao lado de Cabral e Paes, nas quatro cidades fluminenses onde o PMDB disputa o 2.º turno: Petrópolis, Volta Redonda, Duque de Caxias e Nova Iguaçu.

Procurados insistentemente por Cabral, Temer e outros líderes do PMDB ouviram do governador que a disputa presidencial não está em seus planos, mas não gostaram da "estratégia improvisada". Também o vice de Cabral, Luiz Fernando Pezão, escolhido pelo governador para disputar o governo em 2014, reforçou a iniciativa de Paes.

Os peemedebistas estão convencidos de que Pezão, Paes e Cabral combinaram uma estratégia para forçar o PMDB nacional a prestigiar o governador do Rio.

Para os líderes do PMDB, Cabral queria aval do partido para garantir uma vaga ministerial e assim fortalecer a candidatura de Pezão. O plano foi considerado "atabalhoado" e "impróprio". "Em vez de conquistar o PMDB nacional, eles escolheram o caminho do constrangimento", reclama um dos líderes.

Convocado por Dilma, que encerrou a discussão sobre seu futuro vice, Temer resolveu aceitar o convite de Cabral.

Guardanapos. Líder do PMDB na Câmara, o deputado Henrique Eduardo Alves (RN) procura pôr fim à guerra, insuflada pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima, que disse que Cabral e aliados queriam instalar a "República dos Guardanapos", em referência a fotos de correligionários de Cabral durante uma festa em Paris. "Essa declaração do Paes foi um episódio que o PMDB nacional não entendeu, mas o próprio Cabral encerrou o assunto", diz Henrique Alves.

Entre os peemedebistas, a avaliação é que as declarações de Paes isolaram ainda mais o PMDB do Rio. O prefeito e o governador são criticados por desprezarem a convivência partidária. Além disso, Cabral está praticamente sozinho na briga contra a aprovação das novas regras para distribuição dos royalties do petróleo, que prejudicam os estados produtores.

A versão de Paes, Cabral e aliados difere das avaliações do comando do PMDB. "Cabral é um quadro preparado para qualquer cargo, mas não foi nenhum movimento articulado nem desrespeitoso ao Michel Temer. O prefeito não cometeu nenhum crime, não entendi a reação grosseira de alguns quadros do partido", diz o presidente do PMDB do Rio, Jorge Picciani. Paes recuou e encerrou a semana dizendo que não levará a ideia adiante.

O futuro de Cabral continua incerto. Os peemedebistas do Rio defendem que ele dê lugar a Pezão nos últimos meses do mandato e pleiteie uma vaga no governo Dilma ou se candidate ao Senado. Aos líderes do PMDB, o governador disse que pretende ficar no governo até o último dia.

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