Cabral luta para não perder apoio do PT

Politicamente desgastado, governador do Rio procura petistas do Estado e defende manutenção da aliança em torno do seu vice, Luiz Pezão, em 2014

Wilson Tosta - O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2013 | 02h14

Rio - Sob pressão de manifestantes que não dão trégua na campanha pelo seu impeachment, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB), agora se empenha em impedir a implosão da aliança política que o sustenta desde o início do primeiro mandato, em 2007.

Mesmo enfraquecido, ele iniciou contatos para impedir que o PT deixe a administração estadual - onde tem duas secretarias e cerca de 150 cargos de confiança - e abra caminho para a candidatura do senador Lindbergh Farias (PT) à sua sucessão. Cabral age paralelamente à Direção Nacional do PT, que também trabalha para impedir qualquer rompimento e ainda sonha com possibilidade de dois palanques - um petista, outro peemedebista - no Estado para a campanha de Dilma Rousseff à reeleição.

Cabral recebeu os petistas para duas conversas no Palácio Guanabara. Em uma, reuniu-se com quatro dos seis deputados estaduais da sigla. Recuando de posturas anteriores apontadas como arrogantes, fez uma autocrítica de seu isolamento após a reeleição. Destacou a importância da aliança entre os dois grupos no Rio e disse esperar o apoio petista para eleger, em 2014, seu vice Luiz Fernando Pezão para suceder-lhe.

O PT, no entanto, reafirmou a disposição de lançar candidato próprio, rompendo a aliança - tema que Cabral prefere discutir no que vem. "Isso (a decisão sobre coligação) vai se dar em 2014", insistiu o governador.

Nem tudo, porém, foi tranquilo na conversa de Cabral com os deputados. Ele também questionou posições do PT na Assembleia Legislativa fluminense, como a iniciativa de alguns parlamentares de assinar o pedido de CPI da Região Serrana, para apurar supostas irregularidades na aplicação das verbas para recuperação dos danos causados pelas chuvas. Esse apoio petista a investigações contra o governo "é ruim", afirmou, pedindo que o PT chegasse a um "entendimento" sobre o assunto.

Depois do encontro, o governador telefonou aos parlamentares pedindo explicitamente a retirada do pedido de CPI. O projeto já tem assinaturas suficientes, mas apoios podem ser retirados até terça-feira.

Rompimento. No PT, Lindbergh trabalha no sentido inverso ao de Cabral. Seu grupo estabeleceu o início de setembro como prazo final para decidir pela saída do governo estadual. O discurso é que há muitos políticos em outros partidos tentados a seguir o senador, mas, para concorrer em 2014 eles teriam de mudar de sigla até o começo de outubro - daí a necessidade de o PT deixar o governo para preparar a candidatura.

Há, no entanto, outro cálculo possível. O próprio Lindbergh não poderá mais se candidatar por outro partido, após o prazo limite, e o PSB já lhe ofereceu a legenda. A insistência do parlamentar para que o PT deixe o governo seria uma forma de testar o compromisso do comando nacional petista com sua candidatura, a tempo de, se necessário, trocar de partido para disputar o governo. Um de seus problemas é a disposição da cúpula do PT de dar r a última palavra no assunto. "Vamos ter uma resolução nacional (obrigando) que a homologação passe pela Direção Nacional", avisou o presidente nacional do PT, Rui Falcão, em evento no Rio, na sexta-feira. Disse que isso "já foi feito" em 2000, quando se priorizou a candidatura de Dilma Rousseff. "Vale para o Rio e outros Estados", avisou Falcão.

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