Cabral e Paes 'se redimem' e exaltam dupla Dilma-Temer

Prefeito do Rio havia lançado governador para ocupar a vaga de vice na eleição de 2014

LUCIANA NUNES LEAL, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2012 | 03h01

Depois de despertar a ira dos líderes nacionais do PMDB ao lançar o governador Sérgio Cabral candidato a vice da presidente Dilma Rousseff em 2014, no lugar de Michel Temer, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, redimiu-se ontem pregando a reedição da chapa Dilma-Temer. No mesmo espírito de conciliação, Cabral disse que a dupla "com certeza" concorrerá à reeleição.

Reeleito no 1.º turno com 2,1 milhões de votos, Paes recebeu Temer, Cabral e outros líderes peemedebistas para um almoço no Palácio da Cidade. Em entrevista, o vice-presidente disse que espera repetir em 2014 a coligação que elegeu Dilma em 2010. "Se alguém se desligar da base será por contra própria, não será por provocação da atual base aliada", disse Temer.

Questionado se a chapa Dilma-Temer também seria a mesma, o vice-presidente deixou a resposta aos companheiros de partido. "Sim, Dilma e Temer", disseram em coro Paes e Cabral. Segundo participantes do almoço, Paes disse que sua declaração - feita no domingo, em São Paulo - foi um reconhecimento da liderança de Cabral, sem intenção de afrontar Temer. O vice respondeu que o assunto estava encerrado. Questionado sobre o mal-estar, Temer brincou: "Agora só existe o estar. Não ficaram arestas, não há o que comentar sobre isso. O almoço foi saudável."

Campanha. Pela manhã, Temer fez campanha, ao lado de Paes e Cabral, em Volta Redonda, na região sul do Rio e em Petrópolis, na área serrana do Estado, onde o PMDB disputa o 2.º turno. O vice seguiu à tarde para Nova Iguaçu e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Nos sete municípios fluminenses onde há 2.º turno, o confronto ocorre entre partidos da base da presidente Dilma. Para Temer, a disputa entre legendas aliadas não comprometerá a coalizão de 2014. "Está combinadíssimo com os partidos da base, e especialmente com a presidente Dilma e todas as lideranças do PT, que as disputas locais não vão contaminar disputas nacionais", disse o vice.

Apesar dos bons resultados do PSB nestas eleições, Temer disse que não trabalha com a hipótese de uma candidatura do governador Eduardo Campos, presidente do partido, à sucessão de Dilma. "Acho que ainda vamos trabalhar com Eduardo Campos em 2014", respondeu.

Vencedor. Em sua avaliação sobre o 1.º turno, Temer disse que o PMDB foi o maior vencedor, seguido pelo PT. "A aliança PMDB-PT se solidificou nesta eleição", declarou o vice.

Por mais que prefeito e governador digam que o lançamento de Cabral a vice de Dilma foi uma iniciativa individual de Eduardo Paes, os líderes do partido estão convencidos de que foi uma ação articulada na tentativa de fortalecer o nome de Cabral para conquistar um ministério, depois de deixar o governo. Assim, ele garantiria apoio para a candidatura do vice Luiz Fernando Pezão a governador do Rio em 2014.

'Vitrines'. Os peemedebistas reclamam que Cabral escolheu "o pior caminho" e não terá apoio do partido "na base do constrangimento". Por outro lado, o PMDB reconhece que o governo do Rio e a prefeitura da capital fluminense são duas "vitrines" importantes e embora Cabral e Paes sejam distantes da vida partidária ajudam a dar visibilidade à legenda.

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