Cabral diz que tira apoio a Dilma se PT disputar no Rio

Em jantar com Temer, governador diz que Lula deve intervir 'para o bem da aliança'; para petista, 'se o PMDB preocupasse o governo, não seria aliado'

LUCIANA NUNES LEAL / RIO , VERA ROSA , ERICH DECAT / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2013 | 02h11

Sem a presença da presidente Dilma Rousseff, o governador do Rio, Sérgio Cabral, aproveitou o jantar anteontem de governadores do PMDB com o vice-presidente Michel Temer e afirmou que se os petistas insistirem na candidatura própria no Estado em 2014 ele poderá apoiar outra candidatura nacional. Segundo correligionários do governador, ele disse ainda que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa intervir no imbróglio, "para o bem da aliança".

Ontem, em Brasília, onde participou de um seminário, Lula minimizou a crise entre PT e PMDB e disse que Dilma já aprendeu a "cuidar da política". "Se o PMDB preocupasse o governo, não seria aliado do governo. Isso é óbvio." Indagado se ajudaria na articulação política, diante da tensão entre os partidos, Lula foi enfático: "Não, a presidenta tem tanta gente apoiando, tanto partido político, líder...". Segundo o petista, após dois anos e meio de governo, Dilma "já sabe tranquilamente como cuidar da política".

Durante o jantar na casa de Temer, Cabral, com o apoio dos companheiros de partido, foi categórico na recusa de palanque duplo para a presidente no Rio e reforçou a ameaça de não apoiar a reeleição de Dilma caso o PT lance o senador Lindbergh Farias como candidato ao governo.

Segundo participantes do encontro, o governador fluminense afirmou que não aceitará que Dilma "vá a um palanque de manhã e a outro à tarde". Os peemedebistas do Rio insistem que Lindbergh desista da disputa em favor do vice-governador, Luiz Fernando Pezão - que também estava no jantar.

A ausência da presidente Dilma, que foi convidada, mas não compareceu, deixou integrantes do partido livres para às críticas. No PMDB-RJ, a expectativa é a de que Lula, "na hora certa", entre em campo para convencer Lindbergh a abrir mão da disputa. Os peemedebistas dizem que "uma conversa do Sergio com o Lula", amparada na boa relação dos dois, resolverá o impasse.

Até agora, o PT nacional e Lula têm estimulado a movimentação do senador petista, que viaja o Estado em caravanas e, na semana passada, criticou a administração Cabral durante encontro em comemoração aos dez anos no PT no poder, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Aliados de Lindbergh comemoraram a ausência de Dilma no jantar e disseram que os peemedebistas "ficaram falando sozinhos". Para eles, a ameaça de Cabral é um blefe, pois Pezão não pode abrir mão da presença de Dilma em sua campanha. "Quem puxa quem? Pezão puxa Dilma ou Dilma puxa Pezão?", indagam os petistas.

"Lindbergh tem direito de concorrer, mas, se isso acontecer, Dilma não contará com nosso apoio. O discurso de rompimento parte deles, não de nós", disse o presidente do PMDB do Rio, Jorge Picciani.

O prefeito Eduardo Paes, outro peemedebista presente, chamou atenção para o fato de que a maioria dos prefeitos fluminenses é aliada de Cabral e defende da manutenção da aliança PMDB-PT no Estado. O PMDB do Rio exige reciprocidade à aliança nacional do partido com os petistas.

Cunha. A tensão entre os dois principais partidos da base governista aumentou nos últimos dias, quando o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), contrariou interesses do Planalto na votação da MP dos Portos e mediu forças com o governo.

Ao comentar a crise entre PT-PMDB, o presidente do PMDB, Valdir Raupp (GO), disse que "o tempo vai se encarregar de resolver essas pendências".

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