Cabral age para inibir protestos violentos no Rio

Aliados do governador articulam votação de projeto que proíbe mascarados em atos públicos

Luciana Nunes Leal / RIO, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2013 | 02h08

Pressionado por protestos quase diários que, por vezes, terminam em tumulto e violência, o governador Sérgio Cabral (PMDB) mobilizou os aliados para tentar impedir a presença de mascarados nas manifestações e com isso diminuir as depredações e os confrontos com a Polícia.

Também o Ministério Público tentará, pelo caminho judicial, inibir a ação de radicais e punir os já identificados.

Na Assembleia Legislativa, deputados da base do governo apresentaram projeto que proíbe a presença de pessoas com rostos cobertos nos atos públicos e autoriza a polícia a reprimir os que portarem armas, inclusive paus e pedras, usados nos ataques a bancos, lojas e prédios públicos, que ocorrem, geralmente, no fim das manifestações.

Líderes do PMDB reclamam do comando da polícia, especialmente do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, por não agir com mais rigor na punição dos responsáveis por quebra-quebras. O próprio governador está insatisfeito. Na sexta-feira passada, Cabral enviou e-mail a autoridades da segurança e parlamentares dizendo que é preciso dar uma resposta à sociedade, que não aguenta mais os transtornos provocados pelos protestos, segundo noticiou o jornal O Dia.

Desgastado pelas manifestações, que cobram desde uma solução para o sumiço do pedreiro Amarildo de Souza - morador da Rocinha levado por policiais militares à Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) - até explicações sobre seu patrimônio, o governador está decidido a deixar o cargo para dar lugar ao vice, Luiz Fernando Pezão (PMDB), possível candidato ao governo do Estado.

No PMDB, a expectativa é que Cabral deixe o governo no último dia do ano, mas a avaliação é que é preciso que o governador tenha recuperado parte da popularidade, para que a renúncia não soe como concessão aos protestos, que pedem o impeachment de Cabral, sob o mote "Fora, Cabral".

Projeto. A votação do projeto de lei que proíbe mascarados nas manifestações, de autoria do presidente da Assembleia Legislativa, Paulo Melo (PMDB), e do líder do PMDB, Domingos Brazão, está prevista para amanhã. A proposta também obriga os manifestantes a avisarem com antecedência as autoridades policiais sobre os atos públicos previstos. Paulo Melo nega que tenha acertado com Cabral a apresentação do projeto, mas diz que ele e Brazão foram cumprimentados pelo governador pela iniciativa.

"A gente admira as manifestações, mas os arruaceiros acabaram com os protestos, as pessoas têm medo de ir para as ruas. Os professores fazem manifestação e não acontece nada, tudo pacífico. Esse projeto é para garantir as manifestações", disse Melo.

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) criticou a iniciativa. "É inócuo, não vai trazer contribuição para o debate e talvez acirre ainda mais os ânimos. A pessoa que quebra sabe que está cometendo uma ilegalidade, não precisa de mais uma lei", disse. "Sou contra qualquer quebra-quebra, mas essa iniciativa é para marcar posição governamental."

Se o projeto for aprovado e sancionado pelo governador, o Rio será o segundo Estado a proibir mascarados em manifestações - o primeiro foi Pernambuco, onde a Polícia está autorizada a agir se pessoas com rosto coberto insistirem em participar de protestos.

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