Cabo eleitoral assumido de Aécio Neves

Renegado por Serra e Alckmin nas últimas eleições, FHC terá papel estratégico na campanha do mineiro à Presidência

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2013 | 02h04

Escanteado pelo PSDB nas três últimas eleições presidenciais, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vai ganhar um lugar de destaque na campanha tucana à sucessão de Dilma Rousseff. A um ano e meio das eleições, o ex-presidente se transformou no principal cabo eleitoral do senador Aécio Neves (PSDB-MG), pré-candidato à Presidência da República, em 2014.

A estreia de FHC na nova função está marcada para amanhã, em Belo Horizonte, onde ele abre um ciclo de palestras encomendadas pelo PSDB mineiro para reafirmar a candidatura de Aécio ao Palácio do Planalto. Desde dezembro do ano passado Fernando Henrique defende, publicamente, a candidatura do mineiro ao Planalto.

O "road show" de FHC para "apresentar" o senador tucano como candidato continua em março, desta vez em São Paulo, também em evento do partido.

Efeito no PT. "Não tem uma programação a longo prazo. Mas têm alguns eventos marcados com a presença do Fernando Henrique", diz Aécio. "Afinal, o presidente Fernando Henrique é uma referência e é bem recebido aonde vai", completa o tucano. Questionado se FHC é um "bom cabo eleitoral", Aécio responde de bate pronto: "Acho que sim. Até pela irritação que provoca nos petistas".

Na condição de cabo eleitoral ilustre, Fernando Henrique verá o legado de seu governo reabilitado durante o giro da campanha tucana pelo País.

O PSDB passou a reconhecer publicamente o legado de FHC em junho de 2011, quando o ex-presidente completou 80 anos. Na ocasião, a presidente Dilma Rousseff enviou carta ao tucano em que reconhecia sua "contribuição decisiva" para o desenvolvimento do País, quebrando um paradigma de ataques imposto pelo PT ao tucano. Antes, candidatos tucanos à Presidência, José Serra, em 2002 e 2010, e Geraldo Alckmin, em 2006, nunca citaram o governo de FHC nas respectivas campanhas.

Privatizações. Em 2006, por exemplo, Alckmin, atual governador de São Paulo, não defendeu as privatizações da Era FHC. Na época, o PT carimbou o PSDB de "privativista". Passados sete anos, os tucanos reconhecem o erro e prometem recuperar o que chamam de "herança bendita" dos oito anos de governo de FHC (1995 a 2002).

Responsável pela organização do ciclo de palestras "Minas Pensa o Brasil", que terá FHC como protagonista, o deputado Marcus Pestana (MG), presidente do PSDB mineiro, observa que o ex-presidente não vai participar do dia a dia da campanha de Aécio. "Ele (FHC) é um bom cabo eleitoral e vai se envolver na medida certa na campanha", diz. "O Fernando Henrique é o melhor intérprete do Brasil contemporâneo", argumenta o tucano.

Pelo cronograma em gestação, a campanha de Aécio vai ganhar fôlego a partir da convenção do PSDB, em maio, quando deverá ser eleito para presidir a legenda. O pontapé inicial da campanha ocorrerá entre os dias 23 de maio e 1.º de junho, quando serão exibidos 40 comerciais, de 30 segundos cada, com propaganda tucana. Aécio também será a estrela do programa de dez minutos que vai ao ar em maio.

Com essa estratégia, os tucanos querem tornar o senador mineiro nacionalmente conhecido. Governador por duas vezes de Minas Gerais, a avaliação é que Aécio tem uma ação restrita, regional. Uma situação semelhante à do governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, possível candidato à Presidência. Neto de Miguel Arraes, ele tem uma atuação voltada para o Nordeste.

Na corrida presidencial, Aécio e Campos saem atrás da ex-ministra Marina Silva, que, nas eleições de 2010, obteve quase 20 milhões de votos, ficando em terceiro lugar na disputa, e é conhecida nacionalmente. Isso sem contar a diária exposição da presidente Dilma Rousseff. "Não há espaço para amadorismo. É preciso preparar as bases operacionais da campanha", diz Marcus Pestana.

Apesar de ainda não ter admitido que é o candidato do PSDB, Aécio Neves passou a agir como tal, sobretudo na última semana, quando subiu à tribuna do Senado para enumerar os 13 fracassos do governo do PT. O discurso, planejado como um contraponto à festa petista em que o ex-presidente Lula acabou lançando Dilma Rousseff à reeleição, foi discutido com a cúpula partidária. Em Belo Horizonte, berço político do tucano, a ideia é novamente dar visibilidade a sua candidatura, mais uma vez turbinada por Fernando Henrique.

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