Diego Zanchetta/Estadão
Diego Zanchetta/Estadão

Buscas se concentram dentro de piscina e em montanhas de entulho

Reportagem do 'Estado' teve acesso com exclusividade ao terreno com cerca de 120 m² onde estão concentrados os trabalhos

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2014 | 12h17

SANTOS - É no meio de montanhas de entulho que ainda exalam forte cheiro de querosene e dentro de uma pequena piscina com menos de um metro de água preta que cerca de 40 pessoas, entre bombeiros, peritos da Aeronáutica e dos Estados Unidos, além de agentes da Polícia Federal, concentram-se nas buscas por partes da aeronave que caiu na quarta-feira, 13, no Boqueirão, bairro residencial de Santos, no litoral paulista. Cada parafuso ou lâmina de metal encontrado podem agora ser decisivos para ajudar a encontrar pistas para as causas da tragédia, segundo os peritos.

A reportagem do Estado teve acesso com exclusividade ao terreno com cerca de 120 metros quadrados onde são concentradas as buscas desde quarta-feira. Os bombeiros estavam no início da manhã deste sábado, 16, retirando peças do avião, entre elas uma parte da asa esquerda de quatro quilos, a maior parte do jato encontrada até agora.

Sem o áudio da caixa-preta com a conversa entre os pilotos, os peritos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) consideram fundamental remontar pelo menos parte da aeronave e identificar qual foi seu trajeto a partir da Base Aérea do Guarujá, após a arremetida. Na própria base, são quatro peritos que se concentram em tentar reconstruir parte do avião.

O cenário no bambuzal onde o jato caiu ainda é de destruição total. A lateral do prédio atingido pela explosão que aconteceu após a queda está em ruínas, com partes do muro caindo. Dentro do terreno das escavações, o cheiro de queimado e de querosene ainda é forte. Os dois americanos (uma mulher e um homem, ambos com cerca de 30 anos) pegam nas mãos cada peça que é retirada pelos bombeiros da piscina do sobrado que foi atingido pela parte de frente da aeronave.

Um tradutor faz a intermediação do diálogo dos americanos com os bombeiros. Já os peritos do Cenipa e os agentes da PF falam em inglês com a dupla. As peças são imediatamente lavadas e colocadas em baldes que são encaminhados para a base da Aeronáutica no Guarujá.

Mais de 40 pessoas estão no local das escavações. Equipes da Defesa Civil tentam ajudar a remover o entulho removido pelo Corpo de Bombeiros nas buscas. Com pequenas redes, bombeiros tentam vasculhar no fundo da piscina do sobrado atingido pela frente da aeronave pequenas peças do avião. Ao todo, nove baldes com pequenas peças encontradas neste sábado já foram enviados do local das buscas para a base no Guarujá.

Interdição. Moradores do prédio que segue interditado também não conseguiram até agora entrar de volta para pegar seus pertences. "No dia do acidente, minha mãe tinha operado havia só quatro dias. Ela agora vai ficar em uma clínica. O duro é que nenhum representante da empresa dona do avião ou da Cessna nos procuraram até agora", reclamou o advogado Vinícius Campos, de 32 anos.

Neste sábado, mais três ruas do Boqueirão foram interditadas pela PF, que voltou a usar drones e robôs para tentar fazer o mapeamento em 3D de toda a área do acidente. As buscas vão ser mantidas pelo menos até o domingo à noite, 17.

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