'Buscas foram frustradas', diz perito sobre Berbert

Badan Palhares explica que corpo do militante do Araguaia não foi achado apesar de 'local exato' constar em documento

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2012 | 03h06

Documentos encontrados no processo que reconheceu a morte do militante político Ruy Carlos Berbert mostram a ordem para as escavações e a área exata onde foram feitas as buscas pelos seus restos mortais, em Natividade, no Tocantins.

Arquivado em uma sala empoeirada do Fórum de Natividade, que hoje funciona em uma escola pública desativada, o processo do desaparecido político traz o despacho assinado pela juíza Sarita Von Roeder no dia 21 de novembro de 1992 - exatos 19 anos e quatro meses atrás.

"Considerando a relevância da exumação e considerando as questões técnicas explicadas pelo perito doutor Fortunato Badan Palhares, fica autorizada a pesquisa pericial de até 12 metros quadrados rente ao muro posto à entrada principal do cemitério, considerando o portão central às 12 horas local, a pesquisa está a sete horas, três metros aproximadamente atrás da sepultura de Otacílio Pinto", detalha o texto da juíza.

Moradores da região sustentam que o local das buscas, realizadas em 1992, estava errado. Conforme revelou o Estado na semana passada, três filhas de um morador da cidade que morreu na mesma noite que o então guerrilheiro do Movimento pela Libertação Popular (Molipo) afirmam que o jovem foi enterrado no antigo cemitério, em uma sepultura localizada em frente à do pai delas.

Frustração. Em entrevista ao Estado, o perito Badan Palhares, responsável pela coordenação técnica dos trabalhos admitiu dificuldades para a localização do corpo de Berbert no local. "Fomos a Natividade a convite dos familiares do rapaz e, quando chegamos lá, nos deparamos com uma falta de informação grande, que dificultou muito os trabalhos", explicou o perito.

De acordo com suas informações, foram abertas entre 10 a 12 áreas, a partir de relatos dos moradores. "Foi frustrante, mas não tínhamos condições. As informações eram desencontradas e de pouca confiança, ao contrário do que ocorreu em Xambioá."

Naquela cidade, que, assim como Natividade, hoje está integrada ao Estado do Tocantins, a Comissão de Justiça e Paz, acompanhada por uma equipe de legistas, localizou, em 1991, os restos mortais de Maria Lúcia Petit, militante do Partido Comunista do Brasil (PC do B), desaparecida desde 1972.

Desde aquela a expedição não foi identificado mais nenhum guerrilheiro. Mas, na avaliação de Palhares, as possibilidades de sucesso foram ampliadas. "Há mais informação agora", disse. O grande diferencial seriam os exames de DNA, praticamente impossíveis naquela época.

O caso de Berbert foi reaberto pela Comissão Nacional da Verdade, instalada em maio pela presidente Dilma Rousseff. O grupo estuda a possibilidade de novas escavações no local. O Estado localizou fotos do guerrilheiro morto, que comprovam que as autoridades sabiam de sua morte há 20 anos, mas omitiram as informações da família./A.R.

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