Britto elogia ministro revisor, hostilizado por eleitores em SP

Presidente do Supremo diz que Lewandowski tem votado com 'desassombro' e poderia ter dado voz de prisão por desacato

FELIPE RECONDO, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2012 | 02h03

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto, saiu ontem em defesa do ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo do mensalão, que foi hostilizado por eleitores no domingo quando foi votar na zona sul de São Paulo.

"Todos estamos sujeitos a críticas, mas que não se descambe, a pretexto de fazer crítica, para o desacato, para a ofensa pessoal", afirmou Britto. "O ministro Lewandowski tem votado (no Supremo) com transparência, isenção e desassombro", acrescentou.

No domingo, na zona eleitoral em que vota o ministro, um mesário perguntou a Lewandowski se ele já teria "dado um abraço" no ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Outra eleitora também criticou o revisor quando ele concedia entrevistas.

Britto admitiu que Lewandowski poderia ter dado voz de prisão para o mesário por desacato à autoridade. No entanto, o presidente do tribunal afirmou que o colega não estava "com espírito para entrar em polêmica".

No domingo à noite, ao saber do ocorrido, Britto telefonou para o colega para saber se precisava de alguma assistência. Lewandowski minimizou o incidente. Afirmou que a crítica feita pela eleitora não passou de uma "indelicadeza". E acrescentou não ter "recebido hostilidade coletiva ou insulto público".

"Se fosse realmente algo mais encorpado, seria extremamente preocupante", afirmou o presidente do Supremo. Britto disse não ser possível relacionar as críticas que Lewandowski tem recebido às divergências e bate-bocas que travou com o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa. Para Britto, as "elevações de temperatura" são naturais no julgamento dos processos.

Revisor do mensalão, Lewandowski tem sido criticado por absolver alguns dos principais réus do processo, como José Dirceu. O presidente do STF defendeu Lewandowski. "Cada ministro vota de acordo com sua consciência e ciência jurídica."

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