Briga na Câmara já desgasta PMDB e preocupa Temer

À frente dos três cargos da linha sucessória de Dilma, partido vive enfrentamentos públicos e judicialização de seus próprios embates

João Domingos, de O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2013 | 02h03

BRASÍLIA - Tão forte quanto no tempo da Constituinte (1987/88) depois de eleger, há duas semanas, os presidentes do Senado e da Câmara, o PMDB corre o risco de ver essa força se exaurir por causa de brigas internas originadas em disputas por poder dentro do partido. Algumas contendas foram resolvidas em um curto espaço de tempo. Outras ainda não.

A que mais preocupa o presidente licenciado do PMDB e vice-presidente da República, Michel Temer, é a que foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF) e pode até resultar numa punição disciplinar do responsável. Inconformado por ter sido derrotado pelo deputado Eduardo Cunha (RJ) na disputa pela liderança do partido na Câmara, Sandro Mabel (GO) contestou judicialmente a vitória mesmo depois de prometer a Temer que aceitaria o resultado. Ele alegou que Cunha teve votos de dois suplentes, que assumiram em cima da hora.

"O Sandro foi expulso do PR por desobediência partidária e nós o aceitamos no PMDB. Agora, com essa atitude, está levando o partido ao ridículo e constrangendo todo mundo", disse o deputado Lúcio Vieira Lima, presidente do PMDB baiano.

Mabel viajou para o exterior logo depois de recorrer ao STF. Ele não respondeu às ligações sobre as críticas que vem sofrendo.

Emendas. Segundo parlamentares do PMDB, Mabel disse que vai tentar montar um grupo que negociaria diretamente com a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, a liberação de emendas parlamentares e a ocupação de espaço no governo. "Se o PMDB unido não tem o espaço que merece, imagina se estiver rachado, se for só um grupinho. É ridículo", critica Vieira Lima.

Na noite do último dia 4, Michel Temer reuniu em sua casa os presidentes do Senado e da Câmara, os líderes Eunício Oliveira (Senado) e Eduardo Cunha, e todos os ministros do PMDB. Disse aos colegas que, se os rachas continuassem, só quem perderia seria o partido. Unido, tendo a Vice-Presidência e as presidências do Senado e da Câmara, o partido é o dono dos três cargos da linha sucessória do governo, algo inédito desde a redemocratização.

Houve então uma orientação para que as feridas fossem estancadas, o que ocorreu com quase todas. Os irmãos Geddel e Lúcio Vieira Lima fizeram as pazes com Renan e Henrique Alves. Rose de Freitas (ES), que disputou a presidência com Alves, disse que não abriria nenhuma dissidência. Osmar Terra (RS), que também concorreu pela liderança, aceitou cargo de vice-líder. Por fim, este e Henrique Alves prometeram suspender as rixas pessoais em nome da unidade. Ao final, feitas as contas, restou um problema, justamente o protagonizado por Mabel. Para evitar que a divisão se espalhe, os dirigentes do PMDB estão correndo atrás dos parlamentares que apoiaram o goiano, sugerindo que deixem de lado a disputa.

Contudo, uma ala do PMDB já se prepara para pedir a punição a Mabel, sob o argumento de que, apesar de prometer não recorrer à Justiça, ele entrou no STF às escondidas para contestar a eleição de Cunha. Em 2011, Mabel foi expulso do PR porque, desautorizado pelo partido, candidatou-se à presidência da Câmara contra o petista Marco Maia (RS). Alguns entendem que a mesma pena pode ser aplicada agora a ele.

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