Briga em São Paulo passou dos limites, diz presidente do PSDB

Sérgio Guerra quer fim da disputa dos tucanos em SP, divididos entre candidaturas de Kassab e Alckmin

Angela Lacerda, de O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2008 | 17h06

O presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, disse nesta sexta-feira, 26, no Recife, que "já passou, e muito, dos limites" a briga dos tucanos em São Paulo, divididos entre as candidaturas  Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab(DEM). "Se brigarmos no primeiro turno de maneira muito estridente, nos prejudicamos, desconstruímos a nossa imagem e não ajudamos para que todos se juntem como devem se juntar para uma luta no segundo turno, que não será fácil, afirmou". "Temos mais chances, mas será sempre uma luta dura".  Veja também:'Deixem se matarem', diz Marta sobre disputa entre adversáriosVeja a conturbada aliança PSDB e DEM Especial: Perfil dos candidatos Blog: propostas dos candidatos de São Paulo na sabatina do 'Grupo Estado'Ibope: Veja números das últimas pesquisas  Guerra fez estas declarações ao receber o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), no hangar da Weston, de onde partiram para fazer campanha em quatro cidades - três em Pernambuco e uma em Campina Grande, na Paraíba - em favor de candidaturas tucanas. Sérgio Guerra reforçou que não cabe ao partido nacional nenhum tipo de intervenção direta na campanha de São Paulo.  Quanto à defesa do presidente do conselho de ética do partido em São Paulo, José Henrique Reis Lobo, de expulsar os tucanos que dão apoio a Kassab, ele observou que os processos de afastamento e expulsão têm suas regras e tramitação próprias que devem ser respeitadas. "O que vamos fazer é dar prosseguimento a qualquer um desses processos e respeitar o amplo direito de defesa, cumprir o estatuto", afirmou ao reforçar que os companheiros que não acatam a convenção do partido têm postura "equivocada" e que a divisão corre o risco de enfraquecer o partido e a oposição. "Nosso adversário é Marta". Falta oposição Sobre a campanha eleitoral no Recife, Guerra responsabilizou a oposição por uma eventual derrota nas urnas. "Houve seguramente falta de oposição a João Paulo (prefeito, do PT)", avaliou. "João da Costa não é o candidato, o candidato é João Paulo e faltou oposição mesmo". Para ele, faltou oposição a João Paulo não somente na campanha, mas à sua administração. "A oposição no Brasil está muito fraca, a oposição no geral", ampliou. "Os governadores, os prefeitos - inclusive os nossos - quase não têm oposição no Brasil todo". "Agora nessa campanha, ninguém fala do Lula, ele só pode subir", exemplificou. "O parlamento está muito ruim". "Não é que falte luta, falta voto", disse, ao destacar a ampla maioria do presidente Lula na Câmara, por exemplo. Indagado se era difícil fazer oposição ao presidente, Guerra, afirmou que não. "Quando entramos em sintonia com o povo derrotamos a CPMF, contra Lula. Falta sintonia com o povo, não só nós, a categoria política de modo geral", afirmou, ao destacar que o presidente Lula se exclui da categoria política, "nada tem a ver com ele, faz cara de paisagem".  Uso da máquina Sobre a cassação de João da Costa em primeira instância por uso da máquina, ele lembrou que há mais de 1,5 mil denúncias deste tipo, contra o PT, em todo o Brasil. "O padrão do PT é não saber onde termina o público e onde começa o privado e o uso muito informal da máquina". "Não só aqui (no Recife) uma eventual derrota (para o PT) é culpa da oposição, de um lado, e do uso desbragado do poder e da desconsideração pela democracia do outro lado". No horário gratuito eleitoral de ontem (26), o candidato do DEM, Mendonça Filho, frisou que João da Costa responde na justiça a outros processos envolvendo uso da máquina, a exemplo do uso da empresa Qualix, terceirizada pela prefeitura para fazer a limpeza da cidade, que foi flagrada limpando o comitê central do petista. "Não é um fato isolado, não é uma armação, não é um golpe. Nenhum candidato tem o poder de manobrar o Ministério Público, a Polícia Federal e a justiça", afirmou. João da Costa manteve a tese do "tapetão", deflagrada por uma oposição desesperada, e a campanha colocou vários carros de som nas ruas convocando a população para o grande "comício da vitória" na noite de ontem. Para a realização do evento, 160 linhas de ônibus seriam alteradas e o trânsito seria interrompido na área do comício.

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