Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Brasil se convenceu de que está na hora de mudar, diz FHC

Ex-presidente da República diz que pesquisas eleitorais divulgadas neste sábado, 25, mostram tendência positiva para Aécio Neves

Ana Fernandes , O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2014 | 13h00

SÃO PAULO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse, após votar neste domingo, 26, que as pesquisas eleitorais divulgadas neste sábado, 25, mostram uma tendência positiva para o candidato do seu partido, Aécio Neves. "As pesquisas mostram uma tendência que às vezes reverte na última hora. Vamos esperar, não sou imprudente, mas percebemos que tem muita chance", afirmou.

"O Brasil se convenceu que está na hora de mudar", disse o ex-presidente, repetindo a mensagem central da campanha de Aécio.

O ex-presidente, que desde o início foi um dos principais defensores dentro do PSDB da candidatura do Aécio, disse-se otimista e esperançoso na vitória.

"A despeito de uma máquina poderosa e de todo tipo de abuso, Aécio continua muito firme. Ele aguentou toda essa onda de tentativa de descrédito. O que fizeram com ele, com a Marina cansou o País", avaliou ao citar a candidata derrotada no primeiro turno Marina Silva (PSB).

Fernando Henrique disse que o PT tenta dividir o Brasil, nesta campanha que considera uma das mais agressivas desde a redemocratização. "Essa coisa de separar Nordeste, Sul e Sudeste, ricos e pobres, pretos e brancos, não dá certo. Temos que ter união", argumentou.

Ele afirmou que 70% dos eleitores de Aécio recebem até três salários mínimos. "Classe média é povo também e o povo está se manifestando. Essa tentativa de dividir o País por classe, por cor não faz sentido."

Ao lembrar sua participação no ato de apoio a Aécio no Largo da Batata, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, que reuniu cerca de 10 mil pessoas na quarta-feira, 22, Fernando Henrique disse ter sentido "o mesmo ânimo cívico" que viu na campanha das Diretas Já. 

Ele disse que, independentemente do resultado das urnas neste domingo, não acredita que o País fique dividido por causa da polarização. "Não acho que o País ficará dividido, será uma divisão momentânea, eleitoral", afirmou.

Para Fernando Henrique, o próximo presidente terá a missão de restabelecer o "clima amistoso" entre os brasileiros.

Fernando Henrique disse que não há nenhuma chance de ele se tornar ministro em eventual governo de Aécio. Sobre possível participação de Marina, disse que não cabe a ele convidar e que não sabe se a ela interessa.

O ex-presidente elogiou ideias da ex-ministra ligadas a sustentabilidade, renovação política e ética e disse que seriam ideias bem-vindas e que devem ser incorporadas no processo interno de renovação do PSDB.

Ao vir votar, a pé, no bairro de Higienópolis, na região central de São Paulo, Fernando Henrique foi parado diversas vezes, reverenciado por eleitores do bairro e com diversos pedidos de "selfies".

Próximo a ele, foram ouvidos também diversos gritos antipetistas, contra corrupção e até contra o comunismo. O ex-presidente veio votar acompanhado do deputado federal eleito pela legenda em São Paulo, Floriano Pesaro, e por Andrea Matarazzo e José Gregori, que atuaram na coordenação de campanha de Aécio.

Direito de resposta. O ex-presidente FHC disse que "tanta coisa disparatada" foi dita sobre seu governo durante a campanha que ele devia pedir direito de resposta. "Há 12 anos que deturpam o meu governo", afirmou. Segundo o ex-presidente, o PT "se esquece" que o Plano Real reduziu em "30 pontos" a pobreza e que os programas sociais começaram na gestão do PSDB. "Foi tudo filho do Lula e da Dilma? Não, é do Brasil. Os programas sociais cresceram porque o Brasil cresce e essa tentativa de se apropriar do que foi feito pelo Brasil como se fosse feito por um partido está errado", afirmou.

Sobre ataques dirigidos pelo ex-presidente Lula a ele e ao seu governo, FHC disse que Lula está se desgastando. "Essas infâmias do Lula estão desgastadas, ele era maior do que é. Em vez de aproveitar seu prestígio, a capacidade que tem para mobilizar o povo, para melhorar as condições culturais e ensinar, não, ele faz o tempo todo um trabalho de destruição dos valores do País", acusou.

Sobre as críticas colocadas por Lula que o governo do PSDB não fez programas para jovens pobres estudarem, Fernando Henrique disse que é uma das infâmias de Lula e que ele, até como professor, sempre quis que todos tenham oportunidade de estudar. "O Lula que tem obsessão de ensinar errado ao Brasil, que é bom não estudar. O Lula faz isso de falsa esperteza, mas ensina o mal. Eu quero que todo mundo estude", afirmou.

Fernando Henrique disse que Lula e o PT partem para essa linha de discurso por desespero para se manterem no poder. "Eles estão com medo de perder o poder, porque muita gente está usando o poder para fins pessoais. Esse escândalo da Petrobrás é visivelmente isso. É mais grave, a meu ver, que o mensalão, porque é mais vultoso, alcançando gente do governo."

O ex-presidente tucano disse ainda que o aparelhamento e desvios não estão apenas na Petrobrás, mas em todas as áreas do governo federal. "Em toda parte temos ocupação de setores importantes do Estado por militantes políticos, para fazer desvio de recursos e manter a máquina de poder", enfatizou. (Texto atualizado às 13h40)

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