Brasil pede, e vizinhos barram haitianos

Após pressão diplomática, aumenta o número de imigrantes ilegais devolvidos ao país caribenho, em especial por autoridades do Peru

Jamil Chade, correspondente de O Estado de S.Paulo

03 Junho 2013 | 02h06

Genebra - Haitianos que tentam chegar ao Brasil estão sendo deportados de volta ao Caribe e detidos em países vizinhos, num esforço regional para frear a entrada dessa população no País. Dados obtidos pelo Estado mostram que, pressionados pelo governo, países que estão sendo usados como corredores até a fronteira brasileira aumentaram a deportação e prisão de haitianos.

Já chega a mil o número haitianos deportados e detidos nas fronteiras com o Brasil nos últimos meses. Entidades internacionais e países da Europa apelam para que o País abra suas fronteiras a essa população.

No mês passado, o primeiro-ministro do Haiti, Laurent Lamonthe, visitou o Brasil na esperança de atrair investimentos para o país mais pobre do Ocidente. A diplomacia brasileira, porém, vem tentando convencer países da região amazônica e mesmo a República Dominicana - que divide com o Haiti a Ilha Hispaniola - a atuar de forma mais dura diante do grande fluxo de haitianos e dos esquemas montados por máfias para levar esses imigrantes ao Brasil, com documentos falsos e promessas de emprego. O Acre, Estado que faz fronteira com parte desses países, queixa-se de falta de estrutura para receber os haitianos.

Alguns resultados dessa pressão começam a aparecer. Segundo dados do Departamento de Imigração da República Dominicana, 320 haitianos foram deportados pelo próprio governo brasileiro e países vizinhos em apenas dois meses. De janeiro a abril, o Peru deteve 679 imigrantes ilegais com documentos falsos e estima em 2,1 mil o número de haitianos que já teriam conseguido entrar no Brasil. Até o início do ano, esse número era praticamente zero.

A rota mais comumente usada pelos haitianos que deixam seu país rumo ao Brasil começa na República Dominicana, país vizinho de realidade financeira e social oposta. De lá, embarcam para o Equador, cruzam a fronteira com o Peru e desembarcam no Brasil.

Ajuda. Em entrevista ao Estado, Kristalina Georgieva, espécie de superministra da Europa para a Cooperação Internacional e Ajuda Humanitária, defendeu que países latino-americanos abram suas portas aos imigrantes do Haiti. "Gostaria de pedir aos países da região que recebessem esses haitianos, inclusive porque parte do salário deles será destinado justamente para suas famílias em seu país de origem, ajudando na reconstrução do Haiti."

O Brasil, por sua vez, também pediu a ajuda da Organização Internacional de Migrações (OIM), que revelará neste mês os primeiros resultados de um levantamento da situação migratória dos haitianos no Brasil.

Dois pontos estão sendo tratados no estudo: o primeiro é sobre a integração dos haitianos na sociedade e na economia brasileira. O outro é a rota usada pelos imigrantes para chegar ao Brasil, além dos riscos e desafios que esses haitianos encontram no caminho.

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