Brasil cita impunidade em reunião da SIP

País destaca assassinatos e agressões contra jornalistas; Reunião de Meio de Ano da Sociedade Interamericana de Imprensa ocorre no México

GABRIEL MANZANO, ENVIADO ESPECIAL / PUEBLA , O Estado de S.Paulo

10 de março de 2013 | 02h02

A impunidade dos que atacam a liberdade de informar é a personagem central do Relatório sobre a Liberdade de Imprensa no Brasil, lido ontem em Puebla, no México, pelo representante Paulo de Tarso Nogueira. Delegados de 21 países participam naquele país da Reunião de Meio de Ano da Sociedade Interamericana de Imprensa. "É motivo de grande preocupação a impunidade nos casos de assassinatos, cujo número cresceu nos últimos anos", adverte o texto.

Apresentado à Comissão de Liberdade de Expressão e Informação da SIP, o texto denuncia também "a recorrência de decisões judiciais proibindo a divulgação de informações, como é o caso do Estado, que continua proibido de divulgar informações sobre o processo contra o filho do ex-presidente da República, José Sarney". No curto período compreendido pelo documento, entre 1.º de outubro e 19 de fevereiro, são relatados 22 casos - dois assassinatos, nove agressões, cinco casos de censura e seis ameaças.

Preparada pela Associação Nacional dos Jornais (ANJ), a análise brasileira ainda cita "o destempero verbal do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, que, no dia 5 de março, respondeu de forma ríspida à pergunta que lhe formulava o jornalista Felipe Recondo". "Antes que completasse a pergunta, o ministro disse: 'Me deixa em paz. Vá chafurdar no lixo como você sempre faz'". Cita, em seguida, o pedido de desculpas do ministro.

FHC premiado. No início da tarde, a SIP homenageou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com a Medalha Chapultepec, citando "seu trabalho associado à luta por liberdade de expressão, que inclui a criação da Secretaria de Direitos Humanos no Brasil e sua defesa dos índios". O presidente da comissão do prêmio, Jorge Canahuati, disse que FHC "sacudiu o Brasil das chuvas da ditadura". O ex-presidente afirmou que "a liberdade necessita de pluralidade" e que ela é "irmã da diversificação". Também recordou a difícil convivência com a censura, citando o Estado por ter recorrido, no regime militar, aos versos de Camões para denunciar o autoritarismo do governo. E disse que o desafio, agora, é combinar "todas as novas tecnologias com a defesa da liberdade".

Casos. Em suas 11 páginas, o relatório informa as mortes do jornalista Rodrigo Neto, do jornal Vale do Aço, de Ipatinga (MG), na última sexta-feira, e a do radialista Mafaldo Goes, em Jaguaribe (CE), em 22 de fevereiro. Em seguida, fala das intimidações sofridas por uma jovem não jornalista, em Santa Catarina. Trata-se da estudante Isadora Faber, que criou no Facebook o "Diário de Classe", em que denunciava falhas na escola Maria Tomázia Coelho, onde estuda, em Florianópolis. Isadora sofreu ameaças, sua avó foi atacada na rua, a família toda intimidada, aparentemente por professores e familiares de outros alunos.

Outro episódio de destaque no capítulo das ameaças foi o aviso anônimo recebido em 18 de dezembro de 2011 pelo jornalista Mauri König, da Gazeta do Povo, de Curitiba. "Informavam que sua casa seria metralhada por policiais militares", após seguidas denúncias que ele fez sobre abusos praticados pela polícia paranaense. Sua família e o jornal também receberam ameaças.

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