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Boulos recorre à Justiça Eleitoral por conta de WhatsApp que pede dinheiro em seu nome

Pessoas próximas ao candidato começaram a receber mensagens de número que exibia foto de Boulos, que não teve celular clonado

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2020 | 16h26
Atualizado 19 de outubro de 2020 | 18h49

Os advogados do candidato do PSOL à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, acionaram a Justiça Eleitoral para identificar e punir o responsável pela criação de uma conta criada em nome do candidato no WhatsApp. 

Segundo o pedido de liminar encaminhado à 2ª Zona Eleitoral de São Paulo nesta segunda-feira, 19, uma pessoa criou uma conta em nome de Boulos, usando inclusive foto do candidato, e por meio dela pedia dinheiro para pagar despesas de campanha.

Na tarde desta segunda-feira, o juiz da 2.ª Zona Eleitoral de São Paulo, Renato de Abreu Perine, determinou prazo de 48 horas para que o Facebook, responsável pelo WhatsApp, e a Vivo forneçam dados para identificar o autor do golpe contra Boulos.

A operadora de telefonia terá que identificar e qualificar o usuário da linha usada no golpe além de bloquear imediatamente a conexão.

A rede social foi instada a fornecer os dados de cadastro e IP usados pelo golpista. 

Na decisão o juiz determina ainda que a Caixa Econômica Federal (CEF) forneça dados do titular da conta usada para pedir dinheiro e que o Ministério Público Eleitoral seja informado sobre o ocorrido para tomar as providências cabíveis.

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A fraude foi descoberta quando pessoas próximas a Boulos começaram a receber mensagens. Os textos eram semelhantes a golpes comuns no aplicativo. A pessoa que dizia ser o candidato pedia ajuda para pagar contas alegando que já teria ultrapassado o limite diário de transações. A diferença é que os golpistas usavam a campanha eleitoral como desculpa. "Campanha é difícil sempre precisa de uma verba extra, mas depois vamos colher os frutos", argumentava o autor da mensagem.  

No caso citado pelos advogados, o valor pedido é de R$ 6.550. O dinheiro deveria ser depositado em uma conta na Caixa Econômica Federal em nome de Jackson Keyson de Souza Alencar. "O usuário enviou mensagens a diversas pessoas – só veio (sic) a conhecimento deste manifestante (Boulos), é certo, aquelas recebidas por pessoas que lhe são próximas, mas não há como mensurar o alcance das mensagens que podem ter sido divulgadas – com o propósito de auferir vantagem pessoal e de conspurcar a imagem do candidato eleitoralmente", dizem os advogados na representação.

No início da manhã desta segunda-feira, 19, o próprio Boulos enviou mensagens a todos seus contatos no WhatsApp informando sobre o golpe.

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Os representantes de Boulos pedem que o Facebook, responsável pelo WhatsApp, identifique e bloqueie o autor do perfil falso; que a Telefônica, dona da Vivo, envie dados sobre a linha de celular e que a Caixa Econômica Federal forneça informações sobre o dono da conta em que o dinheiro deveria ser depositado. Além disso, pedem que o Ministério Público Eleitoral tome providências. 

Segundo os advogados do PSOL, o golpe pode configurar crimes de falsidade eleitoral, divulgação de informações inverídicas e uso da identidade falsa, todos previstos na legislação eleitoral. 

Até 15h30 desta segunda-feira tanto a linha de celular quanto a conta no WhatsApp do autor do golpe continuavam ativos.

 

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