WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Boulos é diagnosticado com covid-19; TV Globo cancela debate

Candidato do PSOL irá cumprir o protocolo de quarentena; emissora promoveria último encontro entre os postulantes à Prefeitura nesta noite

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2020 | 16h38
Atualizado 28 de novembro de 2020 | 03h11

O candidato do PSOL à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, foi diagnosticado com covid-19 na manhã desta sexta-feira, 27, após se submeter a um teste. A campanha de Boulos informou que ele não apresentava sintomas da doença e entrou em um período de isolamento. O fato levou a TV Globo a cancelar o debate previsto para a noite desta sexta, o último antes da votação em segundo turno. Boulos não vai votar domingo e seus compromissos foram cancelados. À noite, durante o horário em que aconteceria o debate na Globo, o candidato fez uma live e disse estar se sentindo bem. 

No início da semana, em vídeo publicado nas redes sociais, Boulos disse que resolveu fazer o exame da covid-19 após saber do diagnóstico positivo da deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP). “Como estávamos juntos dois dias antes, em um evento de campanha, resolvi testar também.” 

O candidato esteve com a deputada no dia 20, durante o ato de apoio de PT, PDT, PSB e PCdoB a Boulos no segundo turno. O evento ocorreu no salão de um hotel no centro da cidade. Embora todos usassem máscaras faciais e álcool em gel, não houve distanciamento. Sâmia foi diagnosticada na segunda-feira desta semana.

Na terça-feira Boulos chegou a dizer que não faria mais agendas públicas de rua por precaução em relação ao novo coronavírus. “Tomamos uma decisão de, até sair o resultado, não fazer agendas públicas de rua”, afirmou na ocasião. No dia seguinte, porém, o candidato negou que tenha falado em suspender atos de campanha. 

Na quarta-feira e quinta-feira, ele participou de eventos fechados, sem seguir completamente o protocolo de isolamento. Tirou fotos com apoiadores, continuou dando entrevistas e circulou de carro com assessores.

Nos últimos dias, o tema pandemia foi usado por Boulos contra o prefeito Bruno Covas (PSDB), candidato à reeleição. Ele vinha acusando seu adversário no segundo turno de negligenciar uma eventual segunda onda da pandemia.

Antes do diagnóstico de Sâmia, o candidato do PSOL participou de caminhadas em Heliópolis e Paraisópolis, no sábado passado, e de uma carreata com a vice, Luiza Erundina, de 85 anos, na zona leste da cidade, no domingo. Erundina, desde o início da disputa, vem cumprindo os protocolos. A campanha adaptou uma picape com isolamento acrílico, banco e equipamento de som para que ela pudesse circular pela cidade.

Na segunda-feira, dia em que Sâmia foi diagnosticada, Boulos se encontrou com evangélicos em um salão do hotel Excelsior, no centro. Não houve distanciamento. Os participantes estavam sentados um ao lado do outro tanto na plateia quanto na mesa principal. No mesmo dia o candidato participou de uma atividade em que respondeu a perguntas de pessoas na rua, também no centro. À noite foi ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Na quarta-feira, ele se reuniu com mulheres empreendedoras da periferia no salão de uma igreja em Itaquera. Naquele evento as cadeiras foram colocadas a mais de um metro de distância umas das outras.

Na quinta-feira, o candidato se encontrou com pequenos comerciantes e, nesta sexta-feira, passou o dia em casa, de onde saiu apenas para falar com jornalistas na porta de sua residência. 

 

A campanha alegou que Boulos tentava fazer o exame desde o início da semana, mas o teste não havia sido realizado por causa da incompatibilidade entre a agenda do candidato do PSOL e os horários disponíveis nos laboratórios. Conforme o comunicado da candidatura do PSOL, toda a equipe que trabalha na campanha e que tem contato próximo com o candidato seria submetida a teste.

Professor de infectologia e clínica médica da Unifesp, Paulo Olzon disse que o protocolo médico não exige que uma pessoa se isole após ter contato com um infectado. “Só é necessário se afastar das atividades após fazer o exame de garganta e ele der positivo. Se o exame de sangue der positivo, não é necessário ficar isolado, já que ele indica a presença de anticorpos e, portanto, não há mais transmissão.” 

A campanha do candidato do PSOL informou que o exame dele foi o RT-PCR, justamente o que identifica a presença do vírus. Neste caso, o professor da Unifesp afirmou que é recomendado o isolamento. 

Após a confirmação da contaminação, as campanhas de Boulos e de Covas chegaram a propor à TV Globo que o último debate fosse feito de forma virtual. No entanto, a emissora cancelou o encontro. “Seguindo as regras acordadas com os partidos, que preveem o cancelamento do debate em caso de problemas de saúde de um dos participantes, a TV Globo cancelou o evento entre candidatos à Prefeitura de São Paulo, que seria realizado hoje (ontem) à noite, após Guilherme Boulos (PSOL) ter comunicado que testou positivo para COVID-19.”

Pelas redes sociais, Covas desejou “pronta recuperação” ao candidato do PSOL.

Procurado, o coordenador da campanha, Josué Rocha, disse que os cuidados tomados foram além do que recomendam os protocolos do Ministério da Saúde. “Não tínhamos nem a obrigação de fazer o teste, mas tomamos essa precaução até pelo caráter simbólico de mostrar que nos preocupamos com isso.”

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